Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 28/12/2020

De acordo com dados do Exame Nacional do Ensino Médio, são necessários em média 600 pontos para ser aprovado no curso de pedagogia pelo Sistema de Seleção Unificada, já no curso de medicina, são apresentadas as maiores notas de corte, em torno de 900 pontos para garantir a aprovação. Diante disso, conclui-se que candidatos a professor têm notas inferiores em relação aos candidatos dos demais cursos, ou seja, não é necessário o mínimo de capital cultural para se tornar um professor no Brasil. Ademais, o país investe cerca de 100 bilhões de reais do PIB em educação, porém, além dos altos índices de analfabetismo, o Brasil ocupa a 60ª posição de 76 países avaliados no ranking de educação divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Em primeiro lugar, se faz necessário distinguir as vertentes das políticas educacionais, onde, uma delas é expandir o acesso à educação e a outra é investir na qualidade da educação. No Brasil, por exemplo, entre os anos de 2003 e 2012, o número de matrículas nas universidades cresceu 81%, entretanto, quando o número de universidades e estudantes aumenta, são necessários maiores investimentos, entre eles estão a contratação e manutenção de milhares de professores com cargos vitalícios, porém, sem qualquer preocupação com a formação dos pedagogos que ingressaram na faculdade com notas abaixo da média.

Outra problemática existente no sistema educacional brasileiro, é o investimento exacerbado no ensino superior, de acordo com uma pesquisa  da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil gasta em média 15 mil dólares ao ano por cada universitário brasileiro, entretanto, possuí um desenvolvimento educacional inferior ao de países como Itália, Portugal, Espanha e México, que investem consideravelmente menos no ensino superior. Ademais, a pesquisa evidenciou que o Brasil deve investir na educação básica, ou seja, no ensino primário e fundamental, pois estes estão esquecidos em situações precárias, fator tal que aumenta os índices de analfabetismo no Brasil.

Em síntese, se faz necessário que o governo brasileiro  juntamente aos ministros da educação e da economia, desenvolvam um plano educacional e econômico  que tenha como objetivo uma distribuição mais embasada dos investimentos na educação, de forma a priorizar o ensino básico, onde a criança tenha acesso a professores com uma formação de qualidade e que sejam idôneos para preparar e incentivar os alunos a buscarem conhecimento, de modo que se tornem cidadãos alfabetizados e profissionais que contribuam com o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico da nação brasileira. Ademais, deve haver menos intervenção ideológica por parte do governo, para estabelecer uma liberdade de pensamento crítico e tendo como principal objetivo a busca pelo conhecimento.