Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 20/12/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal, documento mor da República do Brasil, garante a todos os cidadãos o direito pleno à educação e ao bem-estar. Semelhantemente, Immanuel Kant, filósofo alemão do século XVIII, detinha o pensamento de que o homem é aquilo que a educação faz dele. Porém, infelizmente, a realidade difere da ideal, com inúmeros desafios para o processo de alfabetização da população, questão que deve ser analisada e debatida. A principal causa para que isso ocorra é a ausência de políticas públicas que promovam a educação em contexto geral, bem como a necessidade da sociedade de se viver em um espetáculo, auxiliado por um culto à imagem excessivo.
Em primeiro lugar, segundo Francis Bacon, político e filósofo britânico, na política, tal como na moral, é um grande mal não se fazer o bem. Consequentemente, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são pelo menos 11,3 milhões de pessoas com mais de quinze anos em situação de analfabetismo no Brasil. Assim, se expõe uma fragilidade no âmbito educacional brasileiro que poderia e deve ser corrigido por meio de atitudes provindas dos políticos do país, afim de diminuir essa taxa e incluir essa parte da população na sociedade que, por conta da falta de educação básica, permanece impossibilitada de obter um emprego ou até mesmo de adquirir informações fundamentais.
Ademais, em “A Sociedade do Espetáculo”, obra do filósofo francês Guy Debord, é explicado como os indivíduos do século XXI, influenciados pela TV, redes sociais e afins, estão dominados pela imagem a ponto de que as relações sociais são mediadas pelas mesmas, havendo um frenesi coletivo de se estar e viver sempre em um espetáculo. Em conjunto, em “A Dialética do Esclarecimento”, dos filósofos alemães Adorno e Horkheimer, da Escola de Frankfurt, é debatido como a indústria foi alterada de forma a alienar e homogeneizar os interesses da população, o que é facilitado pelo culto à imagem presente na sociedade. Dessa forma, os cidadãos vivem manipulados e não são impulsionados a sair dessa bolha, que não integra a educação como algo essencial e, por tanto, auxilia na analfabetização.
Portanto, são necessárias medidas de intervenção para a problemática retratada. Urge que o Ministério da Educação estude e crie um projeto de leis a ser entregue na Câmara dos Deputados, por meio disso, será possível viabilizar a preparação de uma equipe de professores com objetivo de comparecer na residência dos indivíduos analfabetos para a realização de aulas particulares de português, afim de alfabetizá-los. Além disso, é necessário que o Ministério da Cultura prepare um programa com material de divulgação de qualidade, como panfletos e cartazes, que estimule toda a população, sem distinção de idade, a se engajarem na procura do conhecimento e da educação. Dessa forma, é possível combater os desafios para o processo de alfabetização no Brasil.