Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 27/12/2020

Ainda no século XX, Carolina Maria de Jesus lançou seu livro “Quarto de Despejo”, que retrata a miséria e a pobreza das favelas brasileiras, bem como o semianalfabetismo da autora, o qual, infelizmente, limitava as suas chances de publicação da obra, devido ao preconceito da sociedade. Nesse contexto, assim como Carolina, muitos são os brasileiros que vivem na condição de analfabetismo e têm suas oportunidades de vida limitadas. Sendo assim, torna-se premente uma análise criteriosa acerca da importância da alfabetização, bem como os fatores que impedem a sua concretização no cenário nacional.

Deve-se pontuar, de início, como a alfabetização é capaz de desenvolver a capacidade cognitiva da sociedade. Isso porque, ao tomar como base o pensamento do sociólogo Florestan Fernandes, para quem “um indivíduo com poder argumentativo nunca deixará ser manipulado por instrumentos que tolham a sua liberdade”, percebe-se que a educação atua como um instrumento de defesa das classes mais baixas diante daqueles que cerceiam seus direitos. Exemplo disso ocorreu no estado de Pernambuco, na década de 60, quando intelectuais e artistas, como Gilberto Freyre e Ariano Suassuna, desenvolveram o Movimento de Cultura Popular, com o fito de promover a alfabetização dos pernambucanos e, assim, politizá-los e protegê-los dos desmandos nacionais.

Outrossim, é imprescindível destacar que a falta de um processo de alfabetização eficaz advém, em muito, do governo brasileiro. Tal questão se dá, pois, tristemente, são cada vez mais escassos os investimentos e os planos pertinentes direcionados ao sistema educacional do país por parte daqueles que, segundo o poeta Gregório Matos, “não sabem governar a sua cozinha, mas podem governar o mundo inteiro”. Prova dessa fraca ação governamental reflete-se no crescente número de analfabetos no Brasil, o qual, conforme pesquisa do IBGE, alcança mais de 11 milhões de brasileiros.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar esse cenário. Logo, cabe ao Ministério da Educação o desenvolvimento de projetos efetivos de alfabetização dos cidadãos brasileiros. Tal ação deve ser feita por meio de projetos de lei que determinem a ampliação da disponibilização de verbas para a educação, o qual precisa ser debatido e aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, a fim de que o MEC possa organizar, de fato, planos de alfabetização em massa da sociedade, e consequentemente, garantir a capacidade cognitiva do povo. A partir disso, os 11 milhões de brasileiros que vivem como Carolina terão pleno acesso ao direito educacional.