Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 11/01/2021

De acordo com o IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica -, o nível médio de todas as escolas particulares do Brasil era de 7,1, enquanto que o das escolas públicas era de 5,5. Nesse contexto, como a maior parte dos estudantes de instituções privadas possuem mais renda, é possível observar que o processo de alfabetização brasileiro apresenta discrepâncias relacionadas às classes sociais, indicando que um dos fatores mais relevantes a essa conjuntura é a desigualdade. A partir disso, urge discutir, entre governo e sociedade, as principais questões referentes à pauta, buscando mitigá-la.

Sob essa perspectiva, é notório que o letramento do indivíduo com maior poder aquisitivo será mais eficaz do que de um com menos condições, visto que, para além das salas de aula e da escola, há mais espaços estimuladores de conhecimento, como oficinas de teatro e literacia familiar - o hábito de leitura entre pais e filhos. Dessa forma, mostra-se a aplicabilidade do pensamento de Paulo Freire, que diz que ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. Logo, a assimetria educacional presente nas distintas camadas da sociedade não se deve somente à qualidade do ensino em si, mas sim à ausência de ambientes que empenhem os alunos no processo de construção colaborativa e social de saberes.

Como consequência disso, o número de estudantes que sabem ler mas têm difculdades de interpretação cresce, caracterizando o analfabetismo funcional. Esse fato pode ser corroborado por dados do INEP demonstrando que mais de 50% dos alunos do 3° ano desenvolvem abaixo do esperado em matemática e leitura. Dessa maneira, significativa parcela da população é prejudicada, impactando na possibilidade de essas pessoas ingressarem no ensino superior, conseguirem empregos melhores e até mesmo na renda que essas terão.

Perante o exposto, evidencia-se, portanto, que a disparidade na instrução é preponderante na educação brasileira. Por esse motivo, é necessário que o governo federal, sob a forma de Ministério da Educação, destine parte do FUNDEB para a criação do projeto (Co)Criar. Essa proposta deverá ser implementada nas instituições educacionais estatais nas séries do 1° ao 5° ano, com o objetivo de funcionar como um local de de produção integrada de saberes. Durante esse período, recursos como a música, o teatro, a poesia e a contação de histórias poderão ser utilizadas. Posto isso em prática, as diferenças de qualidade educacional entre as classes poderão ser minimizadas.