Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 22/12/2020
No filme “O menino que descobriu o vento”, um dos temas retratados é a dificuldade de um garoto de classe baixa para conseguir estudar. A obra faz uma analogia à realidade, na qual frenquentar a escola não faz parte da vida de todas as crianças. Nesse quesito, o Brasil é um dos países mais afetados, já que a enorme discrepância social se transforma em desigualdade educacional, e, por isso, causa um aumento na taxa de analfabetismo. Assim, surgem mais cidadãos à margem da sociedade e incapazes de realizar atividades que exigem esfoço intelectual, além de haver comprometimento do crescimento e do desenvolvimento do país. Tal problemática persiste por raízes estruturais e sociais.
Em primeiro lugar, é importante destacar a inadequação das escolas públicas, que são insuficientes, já que não estão presentes em todas as regiões do país, e sem qualidade, pois carecem de materiais didáticos necessários, ambiente adequado e profissionais qualificados. Dessa maneira, muitos alunos não conseguem acompanhar as aulas. Enquanto isso, os que acompanham não aprendem de forma efetiva. Por conseguinte, esses últimos transformam-se em analfabetos funcionais, isto é, pessoas que conhecem as letras e os números, mas não têm capacidade de utilizá-los ou interpretá-los, mesmo que em situações simples. Nesse âmbito, de acordo com dados do Indicador do Alfabetismo Funcional de 2018, cerca de 29% dos brasileiros jovens e adultos estão nessa condição.
Além disso, outro fator a ser considerado é a complexidade que vários estudantes sofrem para acompanhar o ritmo da escola. Isso decorre do fato de que os mais pobres começam a trabalhar cedo para complementar a renda de sua família. Dessa forma, eles decidem abandonar os estudos, o que cria um ciclo sem fim de diversas gerações com o mesmo problema, já que os futuros filhos desses discentes viverão nas mesmas circunstâncias. Nesse viés, Jorge Amado aborda no seu livro “Capitães da Areia” a vida dos meninos de rua de Salvador, os quais buscam sozinhos melhores condições de vida e, como consequência, não têm tempo, nem condições de estudar.
Observa-se, portanto, que as razões de ordem estrutural e social impedem o combate ao analfabetismo no Brasil. Esse fato é uma adversidade, visto que, segundo Immanuel Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”. Destarte, medidas são necessárias. É necessário que o governo, no papel do Ministério da Educação, promova a educação de todos os brasileiros a fim de atingir altas porcentagens de alfabetização da população. Isso deve ser feito por meio da disponibilidade de escolas públicas de qualidade que consigam atender o alto contingente de estudantes em todas as regiões do país, além do auxílio econômico às famílias de baixa renda para que as crianças não precisem trabalhar. Com essas medidas, será possível criar uma nação mais igualitária e promissora.