Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 23/12/2020
Durante cem anos o direito ao voto foi negado aos analfabetos do Brasil, os privando do exercício de sua cidadania. Analogamente, na sociedade brasileira hodierna, o analfabetismo é motivo de exclusão, e os desafios para o processo de alfabetização, que se dão por meio de dificuldades ao acesso e permanência no ambiente escolar, bem como nos métodos de aprendizagem, devem ser enfrentados para um país mais democrático.
Sabe-se, em primeiro plano, que o espaço escolar é fundamental para o desenvolvimento do alfabetismo, e a aprendizagem é afetada ao não se garantir o acesso a ele. Nesse sentido, de acordo com a doutora em educação Magda Soares, um ambiente alfabetizador é importante para o ensino da escrita e da leitura. Todavia, conforme dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância, 1,5 milhão de crianças e adolescentes estão em situação de exclusão escolar no Brasil, e outros 6,4 milhões de estudantes têm dois ou mais anos letivos de atraso. Dessa forma, perde-se a idade ideal para a alfabetização, que é a porta de entrada para a escolarização. Como consequência, os analfabetos têm sua cidadania restringida, pois a interpretação de textos é constante no cotidiano, e o acesso à educação, de acordo com a Organização das Nações Unidas, é parte da redução de desigualdades.
Constata-se, ainda, que a escolha de métodos adequados para o ensino, como também o preparo dos profissionais para aplicá-los, são intrínsecos ao sucesso do processo de alfabetização. Sob esse viés, a chamada “Reading Wars”, discussão no meio acadêmico sobre como ensinar crianças a ler, exemplifica a relevância da opção por ferramentas efetivas para a aprendizagem, que deve ser contextualizada e adaptada para as individualidades dos alunos. Não obstante, a capacitação dos professores é decisiva para a proficiência dos estudantes, pois além de decifrar códigos fonéticos, o letramento deve proporcionar a compreensão de sentido dos textos. Entretanto, de acordo com dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), cerca de um terço dos brasileiros são analfabetos funcionais, o que indica a necessidade de ações para a educação básica.
Dado o exposto, portanto, é necessário que o Ministério da Educação, juntamente com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e o Ministério da Economia, faça o mapeamento das regiões em que há mais exclusão escolar e identifique as famílias em vulnerabilidade, para que as auxilie com um “bolsa-ensino”, que dê garantia de assistência às crianças para acesso e permanência nas escolas. Finalmente, por meio dessa parceria, bolsas aos educadores de nível básico devem ser disponibilizadas para a especialização em alfabetização, e assim, o pais se tornará mais democrático.