Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 02/01/2021
A constituição federal brasileira, promulgada em 1988 e apelidada de “Constituição cidadã”, garante à população o direito à educação de qualidade, ferramenta crucial para o exercício da cidadania de maneira autônoma e consciente. No entanto, o Brasil, infelizmente, enfrenta grandes desafios no processo de alfabetização, etapa fundamental na evolução do aprendizado. Tal problema é motivado, sobretudo, devido à forte desigualdade presente no sistema de ensino do país, aliado à insuficiência das medidas adotadas pelo Estado para contornar o cenário.
Deve-se destacar, a princípio, que um dos complicadores da situação é a marcante desigualdade no sistema educacional do país. Assim como retrata o documentário brasileiro “Pro dia nascer feliz”, o qual evidencia e critica a realidade da educação nacional, em que o ingresso ao ensino de qualidade é facilitado à parcela mais privilegiada da sociedade, enquanto os demais sofrem com a defasagem e a precariedade do sistema, panorama que representa um grave desrespeito à constituição. Logo, é nítido que a educação enquanto ferramenta de transformação social, ideia defendida pelo educador Paulo Freire, não está ao alcance de todos, o que reflete na disparidade da oferta de oportunidades e no acesso ao conhecimento entre indivíduos, além de reforçar o abismo social brasileiro.
Ademais, vale ressaltar que o problema é corroborado pela insuficiência das medidas adotadas pelo Estado para contornar a atual conjuntura, conforme revelam os alarmantes dados atuais. A exemplo, segundo informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mais da metade dos alunos do terceiro ano do ensino médio ainda possuem níveis insatisfatórios de alfabetização. Esses, cuja maioria são indivíduos socialmente vulneráveis que não possuem acesso à meios gratuitos e de qualidade para suprir essa lacuna, são classificados como analfabetos funcionais, ou seja, são incapazes de interpretar e desenvolver o senso crítico com maestria. Tal cenário é preocupante, pois revela uma enorme deficiência na formação e no exercício da cidadania consciente.
Urge, portanto, adotar medidas eficazes para mitigar os desafios do processo de alfabetização no Brasil. O governo, por intermédio do Ministério da Educação (MEC), deve criar políticas públicas, voltadas principalmente aos indivíduos mais vulneráveis, para promover melhorias na infraestrutura educacional, a fim de democratizar o acesso à edução de qualidade e atenuar as marcas da desigualdade nacional. Em paralelo, o MEC, mediante parcerias com ONGs especializadas e instituições privadas, precisam desenvolver e difundir projetos sociais, como programas de capacitação e de alfabetização, com intuito de combater, de forma eficiente, o alarmante quadro de analfabetismo funcional do Brasil. Tais medidas visam garatir a plenitude do papel transformador da educação no país.