Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 06/01/2021

No início do século XVI, Martinho Lutero alavancou um movimento contra a Igreja Católica, a Reforma Protestante. Durante essa revolução, Martinho encontrou uma significante barreira contra a propagação do evangélio, o analfabetismo, já que a leitura da bíblia, pelos fiéis, ficaria impossibilitada. Contra isso, Lutero se tornou um grande difusor da educação na Europa. Assim como a Reforma, na realidade contemporânea brasileira, infelizmente, há um grande número de analfabetos. Dessa forma, é necessário analisar esse panorama desafiante a educação, tanto pelo fator da exclusão cultural, quanto pela indiferença presente na sociedade para com as pessoas que não dominam a leitura e a escrita.

Sobretudo, é necessário destacar que a condição do analfabetismo impossibilita o pleno desenvolvimento socio-cultural do indivíduo. Isso porque a maior parte do Capital Cultural — termo criado pelo filósofo Pierre Bourdieu que reflete a posse de bens intelectuais, culturais e educacionais— de um indivíduo é obtido por meio da escrita e da leitura. Como consequência, essas pessoas prejudicadas deixam de compartilhar de benefícios tecnológicos e culturais da sociedade hodierna, como o uso de celulares e computadores. Por isso, é essencial promover a inclusão social e educacional dos cidadãos que sofrem por esse imbróglio linguístico.

Além disso, vale salientar a respeito da existência de uma apatia da sociedade diante do cenário do analfabetismo. Tal realidade é evidente devido que a maioria da população tem domínio básico da língua portuguesa, tendo poucas dificuldades para se habituar com a modernidade que exige, cada vez mais, a leitura e a interpretação. Sendo assim, essa perspectiva projeta uma desvinculação da parcela da sociedade que é  iletrada, funcionando como uma violência simbólica. Com isso, verifica-se um estado de Anomia Social, defendido por Émille Durkheim, na qual a população está dividida, ou seja, há a ausência de ideias e valores que a une, como no caso, a falta do desenvolvimento do código linguístico separa os indivíduos. Assim, é fulcral que esse “muro” entre as pessoas seja dirimido.

Portanto, cabe pontuar que o processo de alfabetização no Brasil deve ser valorizado. Para tanto, as Escolas devem criar programas nos fins de semana, na qual professores e alunos possam instruir, voluntariamente, adultos e jovens no processo de alfabetização. Ademais, o Poder Legislativo, que tem como função a melhoria da legislação, deve promover projetos leis que facilitam o acesso de analfabetos a recursos culturais —como cinema e teatro—, por meio de um funcionário que tenha a função de verbalizar todas as informações escritas, a fim de que não haja a exclusão de membros do corpo social. À luz desses atos, ter-se-á uma sociedade engajada para atenuar a problemática do analfabetismo, assim como fez Lutero na Europa.