Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 11/01/2021
No filme americano “Preciosa”, é retratado o importante papel que a alfabetização desempenha na vida da protagonista ao transformar positivamente sua realidade. Fora da ficção, no entanto, é inquestionável que essa ferramenta social não é desenvolvida e fomentada de maneira plena pelos agentes sociais no Brasil. Tal problemática está alicerçada não só na ineficiência da atuação familiar no processo de letramento infantil, mas também na baixa eficácia de políticas públicas de inclusão e educação da parcela mais carente da população.
Diante desse cenário, é útil considerar que a lacuna deixada pela família na educação durante a primeira infância emerge como um fator de promoção desse impasse. A esse respeito, segundo o conceito de Habitus, proposto pelo filósofo francês Pierre Bourdieu, o núcleo familiar executa uma importante função no processo de formação intelectual e educacional dos indivíduos. Entretanto, é possível destacar que a falibilidade na realização desse dever se materializa na realidade nefasta da sociedade brasileira, uma vez que, de acordo com levantamentos do IBGE, cerca de 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais. Logo, não é razoável que, embora almeje tornar-se um país desenvolvido, o Brasil não garanta direitos básicos aos cidadãos.
Além disso, é notório que a insuficiência das ações governamentais de alfabetização da parcela mais desfavorecida da sociedade representa uma prática nociva ao corpo social. Dessarte, em consonância com as ideias do sociólogo francês Émille Durkheim, o Estado deve respaldar e assegurar os direitos humanos essenciais à vida, como alimentação e educação. Contudo, é indubitável que o ideal durkheimiano de harmonia é violado ao observar-se os diminutos índices de letramento da população de habitantes de periferias e do interior do país. Ora, se um governo se omite diante de uma questão tão importante, entende-se, assim, o porquê da perpetuação desse revés. Dessa maneira, faz-se imperiosa a reformulação dessa postura estatal.
Depreende-se, portanto, que medidas fazem-se necessárias para a mitigação desse entrave. Nesse sentido, para que os desafios acerca da alfabetização no Brasil sejam superados, urge que o Ministério da Educação crie, por meio do maior repasse de verbas públicas, programas de inclusão educacional que garantam educação básica a toda a população. Tais programas contarão com a criação de escolas e creches em comunidades carentes que trabalharão em conjunto com a família a fim de erradicar os níveis de analfabetismo no país. Espera-se, com isso, que episódios como os retratados em “Preciosa” tornem-se cada vez mais presentes.