Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 28/12/2020
Para o pedagogo Paulo Freire, a única ferramenta capaz de promover a emancipação social e garantir as liberdades individuais é a educação. Apesar de sua extrema importância, a situação do ensino alfabetizante se encontra em um estado de plena degradação, fenômeno comprovado pelas pelos péssimos resultados em índices educacionais e pelo crescente número de analfabetos na sociedade. Para melhor compreender o tema, o mau gerenciamento de verbas e a acessibilidade dos centros de ensino são dois tópicos fundamentais a serem discutidos.
Primeiramente, é preciso afirmar que os recursos voltados para a educação foram administrados de maneira ineficiente e sem um planejamento eficaz. Durante os governos da última década, houve um grande enfoque em políticas educacionais e a adoção e diversos programas de grande amplitude social, como o Ciências Sem Fronteiras e o FIES, que garantiram respectivamente a possibilidade de estudo no exterior e o financiamento de bolsas em universidades privadas. Todavia, esse foco excessivo no Ensino Superior não trouxe os resultados esperados, visto que houve uma grande negligência com o ensino de base e uma falta de investimentos nessa categoria educacional. Por consequência, as universidades receberam alunos desqualificados para as exigências de estudo, fator que contribuiu bastante para o desempenho fraco da educação brasileira. Portanto, de modo a atender as demandas educacionais, é preciso priorizar o ensino de base.
Por outro lado, os problemas relacionados à acessibilidade também contribuíram para a degradação do ensino alfabetizante no país. De acordo com um levantamento do Datafolha, 78% dos analfabetos moram em regiões do interior ou de periferias metropolitanas, enquanto o restante habita em grandes cidades. Por trás desse dado, reside o fato que as grandes instituições de educação alfabetizadora se localizam nos centros urbanos e a maioria de seus estudantes são da própria região. Dessa maneira, as dificuldades de locomoção geradas pelas longas distâncias e alto custo de transporte desencorajam muitos pais a promoverem uma educação de qualidade para seus filhos, o que corrobora acentuadamente para a manutenção dos altos índices de analfabetismo no país. Logo, melhorias na educação brasileira passam por um maior enfoque na assistência do processo de alfabetização.
Em suma, mais do que sequelas para a sociedade, um ensino de baixa qualidade representa violações graves dos direitos de autonomia e independência dos cidadãos. De modo a resolver esse problema, é necessária a restruturação do FUNDEB, por meio de um projeto de lei complementar criado por deputados federais na Câmara, e a alocação de 15% da verba do Ensino Superior para a educação de base, financiando novos centros educacionais em cidades interioranas e regiões