Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 05/01/2021

Na obra cinematográfica “O Caçador de Pipas” o protagonista Hassan não sabe ler e escrever, e em consequência disso, é constantemente enganado a respeito de coisas que exigem essas habilidades, como cartas e livros. Fora do contexto ficcional, o analfabetismo é um entrave real e traz limitações ás vidas de muitos brasileiros. Nesse sentido, tal cenário é fruto da educação pública de baixa qualidade no país e tem, como consequência, a exclusão social e laboral dos indivíduos.

Sob esse âmbito, é importante ressaltar que a Constituição Federal de 1988 assegura a todos os brasileiros o direito à educação. No entanto, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2017, 11,5 milhões de pessoas com mais de 15 anos apresentam analfabetismo e cerca de 34% das crianças terminam o 3º ano do ensino fundamental sem estarem letradas. Diante desses dados, evidencia-se um forte lapso na educação brasileira, tanto a de base quanto a para jovens e adultos, o que fere diretamente o direito garantido pela própria Constituição. Nesse sentido, políticas públicas mais eficazes são necessárias para combater a problemática.

Ademais, a falta de domínio da leitura e da escrita é extremamente prejudicial para o indivíduo, uma vez que ele se torna incapaz de participar ativamente da sociedade, interpretar informações, formar opiniões, se comunicar por escrito e até mesmo exercer coisas simples, como preencher formulários.  Com isso, há uma forte limitação em suas oportunidades de emprego, em virtude da baixa qualificação. Dessa maneira, a pessoa analfabeta é excluída não só do meio social, mas também do mercado de trabalho. A título de ilustração, pode-se citar o romance “Vidas Secas”, do escritor regionalista Graciliano Ramos, onde a família do sertanejo Fabiano é tão limitada com as palavras que, ao chegarem em uma cidade, as crianças não sabem nem mesmo os nomes dos objetos mais corriqueiros. Em face ao exposto,