Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 29/12/2020
Ratificado em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) compreende o acesso ao ensino de qualidade como um direito fundamental para o desenvolvimento social de infantes. No entanto, apesar da legislação, é indubitável que tal proposta é deturpada, tendo em vista os desafios do processo de alfabetização no Brasil. Esse cenário nefasto revela um problema grave corroborado não só por um sistema educativo lacunar, mas também pelas assimetrias sociais.
Nesse sentido, é importante detacar a abordargem ultrapassada nas instituições. Nessa perspectiva, a pedagoga Vera Maria Candau, em sua obra “Reinventar a Escola”, discute a persistência de uma metodologia retrógrada nas escolas, a qual, pela sua rigidez, não antende às demandas pela instrução qualitativa do corpo discente. Analogamente, devido a uma estrutura defasada, a escassez de uma erudição moderna e contínua, capaz de acompanhar o desempenho, estudantes têm seus aprendizados negligenciados. Portanto, é inquestionável que o analfabetismo funcional expõe a mazela pedagógica brasileira.
Ademais, é necessário ressaltar a evasão escolar em áreas periféricas. Nesse viés, na canção “Tô Ouvindo Alguém me Chamar”, o grupo “Racionais” se apropria do lirismo musical para denunciar como a restrita mobilidade social e perspectiva de futuro, entre indivíduos marginalizados, suscita a supervalorização do trabalho para o sustento familiar em detrimento do ensino. Sob essa óptica, é evidente a desigualdade, principalmente entre populações negligenciadas, em que a necessidade financeira se sobrepõe à educacional, o que, por conseguinte, agrava a situação de vulnerabilidade por negligenciar a mobilidade advinda da instrução. Logo, é incontrovertível que devido às disparidades socioeconômicas, vários cidadãos, como narrado por Racionais, têm a alfabetização vilipendiada.
Dessarte, ante um sistema lacunar e a segregação socioeducacional, urgem mecanismos em prol da qualitativa alfabetização no Brasil. Para isso, é fulcral que o Ministério da Educação, associado ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, difunda uma metodologia contemporânea e inclusiva. Isso deve ocorrer por intermédio, além da modernização da Base Nacional Comum Curricular, a qual deve integrar métodos de incentivo ao letramento contínuo do corpo discente, de incentivos financeiros para estudantes periféricos e de baixa renda, com o fito de mitigar tanto o analfabetismo funcional, quanto a evasão escolar. Assim, assegurar-se-á, de fato, a educação pela alfabetização de crianças e adolescentes, como previsto pelo ECA.