Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 30/12/2020

De acordo com o filósofo Seneca, a educação exige um grande cuidado pois influi durante toda a vida do indivíduo. A partir dessa premissa pode-se perceber a importância do estudo para o homem visto que pode transformar sua vida ou perpetuar condições excludentes. Dessa forma, a alfabetização no Brasil configura-se como um problema, seja pela desigualdade social, seja pela baixa eficiência no ensino público.

Em primeira análise, a discrepância social existente resulta em jovens que, muitas vezes, precisam abandonar a escola para trabalhar e, assim, complementar a renda da família. Esse cenário de evasão escolar dificulta que o jovem tenha uma vida próspera e modifique sua situação perante o corpo social. Devido a isso, em alguns casos, a falta de educação resulta no envolvimento com atividades ilícitas e pode tornar a sociedade mais violenta com o aumento de ações criminosas. Tal fato confirma o conceito de “corpo biológico” do sociólogo Durkheim ao afirmar que a sociedade é composta, assim como um corpo, por partes que interagem entre si tendo em vista que quanto menor a escolaridade da população, maior é a violência exercida por ela.

Além disso, o ensino público, principalmente em locais mais remotos, é ineficaz no que tange à questão da alfabetização já que, muitas vezes, apesar da escolaridade, os adolescentes tornam-se analfabetos funcionais. Isso ocorre, pois ao invés de investir em professores capacitados e boa infraestrutura, o Estado opta por direcionar os gastos para áreas que gerem retorno financeiro imediato - como lazer, turismo e grandes obras. Esse panorama expõe como o Estado se enquadra na Instituição Zumbi do sociólogo Zygmunt Bauman em que, apesar do Estado manter sua forma, não exerce sua função. Com isso, crescem os números de analfabetos funcionais devido a negligência governamental.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de aprimorar a alfabetização no Brasil. Para isso, cabe ao Governo Federal aumentar o repasse de verba para a área da educação e - por meio do Ministério da Educação e Cultura em associação com as secretarias estaduais de educação - direcionar esses recursos para potencializar a preparação dos professores e melhorar as estruturas das escolas a fim de aperfeiçoar o ensino a fim de reduzir o número de analfabetos no Brasil e dar à educação a importância prevista por Seneca.