Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 31/12/2020

Stefan Zweing, escritor alemão, definiu o Brasil como “país do futuro”, por ter sido bem recebido no local após fugiur das perseguições nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Todavia, esse status está longe de representar a realidade, uma vez que existem diversos desafios do processo de alfabetização no Brasil. Nesse cenário, as principais dificuldades decorrem da evasão escolar e da falta de acessibilidade às instituições de ensino. Destarte, é indubitável a adoção de medidas que possam reverter esse quadro de analfabetismo da população brasileira.

Em primeira análise, muitos jovens deixam de frequentar a escola para poder trabalhar, o que tem como consequência uma carência educacional. Em sua obra, “A Revolução dos Bichos”, George Orwell faz uma sátira à sociedade moderna, afirmando que, apesar de todos os indivíduos serem iguais, alguns são mais do que os outros, explicitando a desigualdade socioeconômica. Seguindo esse raciocínio, entende-se que as crianças e os adolescentes de baixa renda acabam deixando a edução em segundo plano para poder focar no sustento familiar, indo em busca de trabalhos que, em sua grande maioria, são informais. Dessa forma, a alfabetização desses cidadãos é interrompida, levando-os a se tornarem analfabetos funcionais.

Outrossim, em determinadas regiões do Brasil, como áreas rurais e comunidades indígenas, o acesso às escolas é extremamente dificultado pela infraestrutura precária e falta de professores. Segundo o conceito de “Ética à Nicômaco”, do filósofo Aristóteles, é dever do Estado assegurar qualidade de vida a toda a população. Sob tal ótica, pode-se afirmar, então, que o governo brasileiro falha gravemente nesse quesito, visto que não provém a todos os seus municípios e seus cidadãos escolas com boa infraestrutura nas salas de aulas e educadores capacitados. Desse modo, os indivíduos residentes dessas áreas mais negligenciadas pelo Estado não conseguem concluir seu processo educacional, levando à uma alfabetização incompleta.

Evidencia-se, portanto, a urgência em reverter a situação do analfabetismo, que afeta, hodiernamente, mais de dez milhões de brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diante disso, cabe ao Ministério da Educação criar um fundo orçamentário que provenha sustento aos estudantes mais pobres por meio do fornecimento de alimentação diária e materias de estudo, enquanto ele frequentar o colégio. Essa medida deve envolver alunos até a terceira série do ensino médio, a fim de que todos os jovens até os dezoito anos de idade tenham a chance de serem alfabetizados corretamente. Sendo assim, o Brasil será, finalmente, um lugar com menos desigualdade entre seus cidadãos,correspondendo a definição futurista dada por Stefan Zweing.