Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 02/01/2021

Em sua obra “Em busca da política”, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que “tendemos a crer que pouco podemos mudar – sozinhos, em grupo ou todos juntos – na maneira como as coisas ocorrem ou são produzidas no mundo”. É com essa crença de impotência que poder público e sociedade civil organizada têm, de forma muito tímida e pouco assertiva, encarado os desafios da alfabetização em questão no Brasil. Logo, é imperativo um maior engajamento desses atores sociais no inadiável enfrentamento desse problema.

Em primeiro lugar, é evidente que o poder público falha ao cumprir o seu papel enquanto agente fornecedor de educação para toda a população, o que favorece a permanência de jovens e adultos analfabetos em pleno século XXI. Nesse sentido, um relatório divulgado pelo IBGE, no ano de 2019, afirma que, pouco mais de 11 milhões de brasileiros fazem parte dessa lista. Diante disso, é válido afirmar que a União precisa investir em medidas preventivas, aliada nas políticas sociais, no objetivo de combater essa questão.

Consonante com Bauman, o rapper Gabriel, O Pensador, na canção “Estudo errado” reivindica uma escola que, de fato, vá além dos conteúdos tradicionais, comprometendo-se com debates dos problemas vigentes. Nesse sentido, as instituições de ensino erram quando não oportunizam à comunidade escolar espaços de discussões a respeito dos desafios da alfabetização no Brasil. Isso se dá, em grande medida, porque tais instituições ainda se utilizam de uma pedagogia tecnicista, a qual se caracteriza pela assimilação de fatos e fórmulas e pela falta de vínculo com o contexto social. Dessa forma, fica flagrante o descompromisso de muitas escolas com a formação crítica do indivíduo.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar os desafios da alfabetização no país. Nesse viés, o Estado, por meio do Ministério da Educação, deve aumentar os investimentos em construção, qualificação e capacitação de espaços e profissionais da educação e alfabetização, de jovens e adultos, com a criação e aperfeiçoamento de aulas, cursos e colégios, com base nas leis e respeitando os Direitos Humanos e a Constituição de 1988, a fim de garantir um dos direitos básicos que é a educação. Ademais, as escolas, aliada à família, através de palestras, debates e oficinas, devem promover, nos ambientes escolares, projetos socioeducacionais sobre a importância da educação, assim como espaços junto aos pais, com o intuito de conscientizar toda a família, que tem papel fundamental na formação ética, crítica, educacional e emocial de cada pessoa. Somente assim, observado o engajamento de todos, o país vencerá sua crença de impotência e, por conseguinte, estará mais próximo de superar esse enorme desafio.