Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 02/01/2021
A Revolução Técnico-Científico-Informacional, responsável pelo processo de inovações no campo da informática, foi capaz de integrar ciência e tecnologia de modo a reduzir barreiras e aproximar contextos. No entanto, tal fenômeno não foi suficiente para a afirmação do processo de alfabetização no Brasil: a metodologia mantém-se ineficiente e o acesso problemático.
Em primeiro plano, é importante destacar o papel decisivo das estruturas regionais para o fortalecimento do ensino e a universalização do seu alcance. Dados do Ministério da Educação mostram que, de 2014 a 2016, as regiões Norte e Nordeste ficaram abaixo da média nacional nos níveis de proficiência em leitura e matemática. Nessas mesmas regiões, porém, encontra-se a maior redução nas taxas de analfabetismo, que, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), reflete a intensa promoção de políticas públicas para o fortalecimento desse eixo social. Nesse contexto, as disparidades sociais e entre regiões tornam-se um dos fatores de maior importância no enfrentamento da temática, uma vez que potencializam as diferenças – segregando espaços e negando oportunidades – e dificultam a democratização da educação básica no país.
Em segundo plano, e concomitante ao supracitado, outro fator é fundamental para que se superem os obstáculos na formação educacional dos brasileiro: a ineficiência dos métodos pedagógicos. De acordo com informações de 2018 do Índice de Analfabetismo Funcional, 13% dos estudantes que concluíram o ensino médio apresentam defasagem em seus estudos, o que representam uma parcela da população que reconhece o código mas não consegue interpretar textos e realizar operações básicas de matemática. Nesse viés, o descompasso apresentado reforça a urgência da revisão dos métodos educacionais, visto que o ensino é a principal ferramenta na introdução dos indivíduos no tecido social e na garantia dos direitos constitucionais de cada cidadão. Logo, faz-se urgente a reavaliação dos processos de instrução formal, de modo a adequar a estrutura às necessidades e especificidades dos diferentes contextos da sociedade brasileira.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para que o direito constitucional de uma educação de qualidade – e democrática em seus métodos – seja garantia de todos. Desse modo, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com os agentes de educação e a família, promova a formação específica e continuada dos professores, por meio de grupos de estudo que possam ampliar a discussão sobre aprendizado, a fim de criar uma educação mais inclusiva e uma rede que atenda às singularidades dos estudantes. Afinal, como Maria Montessori, educadora italiana, sugere: “A verdadeira educação é aquela que vai ao encontro da criança para realizar a sua libertação”.