Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 03/01/2021
Em sua etimologia, o termo “educação” significa: conduzir algo ou alguém a um patamar superior. Consonante a isso, Paulo Freire afirma que “a educação não transforma o mundo; a educação muda pessoas, pessoas transformam o mundo”. No entanto, percebe-se que, no Brasil, o ideal do educador tem encontrado dificuldades para se estabelecer: infelizmente, os índices de analfabetismo ainda se encontram em níveis elevados, em virtude de falhas no processo educacional. Dito isso, a reflexão se faz urgente, começando a partir dos fatores que corroboram esta problemática: o trabalho infantil e a evasão escolar.
Precipuamente, é importante destacar que, em muitos casos, a necessidade de trabalhar para ajudar nos deveres domésticos tem recaído sobre os ombros de crianças e jovens, os quais deveriam estar exclusivamente focados em estudos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2016, cerca de 1,8 milhão de crianças entre 5 e 17 anos trabalhavam. Em função disso, o processo educacional desses jovens fica prejudicado, haja visto que se encontram na situação de diminuírem sua carga horária de estudos. Logo, a longo prazo, este fato contribui para a “formação” de analfabetos, aumentando o número destas lamentáveis estatísticas.
Outrossim, a saída de crianças e jovens das escolas é uma das principais causas que influenciam no índice de pessoas analfabetas em solo brasileiro. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 11,2% dos alunos do Ensino Médio estavam fora da escola por algum motivo no ano de 2015. Em muitos casos, a saída da escola por parte destes indivíduos se dá pelo fato de não conseguirem acompanhar o cronograma acadêmico da instituição de ensino na qual estão matriculados, em virtude de uma base escolar afetada desde o início de sua caminhada colegial, provocada por uma alfabetização primária de baixa qualidade. Dessa forma, o ideal defendido por Monteiro Lobato se torna inviável: “um país se faz com homens e livros”.
Portanto, deve-se enfrentar o supracitado enredo. Desse modo, urge que o Ministério da Educação, órgão do Governo Federal responsável pela educação da população brasileira, dedique todos os seus esforços na alfabetização primária de crianças, com o intuito de fornecer uma base escolar adequada para os anos subsequentes de estudo, diminuindo as chances de evasão escolar. Esta ação se concretizará por meio da capacitação de professores, para que se tornem especialistas no processo de alfabetização primária, e projetos lúdicos de ensino nas escolas que tornem a metodologia de ensino de fácil compreensão. Somente assim, a sociedade será conduzida a um patamar superior, fazendo jus ao termo “educação”.