Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 02/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o alto índice de analfabetismo apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência do governo, quanto da alta evasão escolar e falta de incentivo. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Primeiramente, é fulcral pontuar que a falha no sistema educacional deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, em promover um nivelamento das capacidades interpretativas, gerando derivações do analfabetismo, como o funcional, que acomete uma parcela da população e pode se manter presente na vida adulta. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de investimento na educação como promotor do problema. De acordo com o Ministério da Educação, no Brasil são 16 milhões de pessoas que não conseguem sequer escrever. Já os que não chegaram a concluir a 4ª série do ensino fundamental I, somam 33 milhões, concentrados em 50% no norte e nordeste do país. Partindo desse pressuposto, áreas de baixa renda tem menos infraestrutura para manter e estimular os estudantes. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a falta de escolaridade e evasão contribuem para a perpetuação desse quadro.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a defasagem na área educacional, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do governo, será revertido na reforma nos métodos de ensino e monitoramento do progresso dos alunos, priorizando areas onde os alunos obtém o menor desempenho, através de programas interativos que incitem a leitura, despertando o interesse voluntariamente. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do analfabetismo, e a sociedade alcançará a Utopia de More.