Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 02/01/2021

De acordo com o filósofo Seneca, a educação exige um grande cuidado pois influi durante toda a vida do indivíduo. A partir dessa premissa, pode-se perceber a importância do estudo para o homem, visto que pode transformar sua vida ou perpetuar condições excludentes. Dessa forma, a alfabetização no Brasil configura-se como um problema, seja pela desigualdade social, seja pela baixa eficiência no ensino público.

Em primeira análise, a discrepância social existente resulta em jovens que, muitas vezes, precisam abandonar a escola para trabalhar e, assim, complementar a renda da família. Esse cenário de evasão escolar dificulta que o jovem tenha uma vida próspera e modifique sua situação perante o corpo social. Devido a isso, em alguns casos, a falta de educação resulta no envolvimento com atividades ilícitas e pode tornar a sociedade mais violenta com o aumento de ações criminosas. Tal fato confirma o conceito de “corpo biológico”, do sociólogo Durkheim, ao afirmar que a sociedade é composta, assim como um corpo, por partes que interagem entre si, tendo em vista que quanto menor a escolaridade da população, maior é a violência exercida por ela.

Além disso, o ensino público, principalmente em locais mais remotos, é ineficaz no que tange à questão da alfabetização já que, recorrentemente, apesar da escolaridade, os adolescentes tornam-se analfabetos funcionais. Isso ocorre, pois ao invés de investir em professores capacitados e boa infraestrutura, o Estado opta por direcionar os gastos para áreas que gerem retorno financeiro imediato - como lazer, turismo e grandes obras. Esse panorama expõe como o Estado enquadra-se na “Instituição Zumbi”, do sociólogo Zygmunt Bauman, em que, apesar do Estado manter sua forma, não exerce sua função. Com isso, crescem os números de analfabetos funcionais devido a negligência governamental.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de aprimorar a alfabetização no Brasil. Para isso, cabe ao Governo Federal aumentar o repasse de verba para a área da educação e - por meio do Ministério da Educação e Cultura em associação com as secretarias estaduais de educação - direcionar esses recursos para potencializar a preparação dos professores e melhorar as estruturas das escolas, a fim de aperfeiçoar o ensino para reduzir o número de analfabetos no Brasil, e dar à educação a importância prevista por Seneca.