Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 02/01/2021

A Constituição Federal de 1988 assegura, em seu artigo 6°, o direito à educação a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogatica, na prática, não tem se manifestado com efetividade quando se observa a alfabetização em questão no Brasil, o que dificulta, dessa maneira, a universalização desse direito social tão importante. Diante disso, vê-se que a negligência governamental e a mentalidade social favorecem esse quadro.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a baixa atuação das autoridades em fornecer um eficiênte ensino para população. Essa conjuntura, segundo o pensador John Locke, configura-se como uma violação do Contrato Social, já que, devido a negligência do Estado, os cidadãos tornam-se analfabetos funcionais, o qual são alfabetizados, entretanto, não desenvolvem uma interpretação adequada e uma inteligência para resolver conteudos mais complexos. Isso ocorre, por conta do mal ensino das escolas públicas, que, na maioria das vezes, se  contenta com somente a alfabetização básica. Dessa forma, o Estado não realiza sua função de garantir direitos imprescíveis, como a educação, e, desse modo, descumpre o “contrato”, como dizia o filósofo.

Outrossim, os estígmas coletivos sobre a escolaridade atrasam um cenário de alfabetização. Nesse sentido, de acordo com Durkhein, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, coercitividade e generalidade. Nessa lógica, observa-se que a mentalidade da população, no qual os mais velhos não devem retornar aos estudos, pode-se encaixar na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma pessoa vive em uma sociedade com essa mentalidade, tende a adotá-la também, visto a vivência em grupo.  Destarte, com a permanência dessa pensamento no Brasil, uma camada da população não é incentivada a retomar ou iniciar suas atividades escolares, e, por consequência, continam excluidos de uma sociedade segregacionista, que preza pela alfabetização para relações mais dignas. Então, faz-se preciso medidas estatais para mudar essa realidade.

Em suma, o Ministério da educação deve fornecer uma alfabetização efetiva, por meio da reformulação da base curricular, em que será preciso uma nivel de interpretação, obtido a partir de provas periódicas semelhantes a do ENEM, para passar de ano, a fim de alfabetizar com eficiência a população. Ademais, urge que o Ministério da Cultura mude a mentalidade da sociedade, por meio de filmes e campanhas publicitárias, que desmistificarão a ideia da exclusividade do ensino, com o intuito de fomentar a volta a escola. Com isso, o Estado desempenhará corretamente o Contrato Social, como afirmava Locke.