Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 11/01/2021
“Se quisermos alcançar nossos objetivos, então permitam que nos empoderemos com a arma do conhecimento.” Essa frase foi parte do discurso da ativista paquitanesa Malala Yousafzai. Vencedora do premio Nobel da paz em 2014, Malala representa a voz de milhares de pessoas que acreditam na educação como grande motor do progresso. Contudo, ainda é lícito afirmar que a necessidade de um ícone que luta pela educação denuncia um cenário catastrófico nessa área. Em questão do Brasil, o desafio do processo de alfabetização é preocupante e, além de impedir o acesso da população à informação, agrava a desigualdade socioeconômica latente no país.
Em primeiro plano, vê-se que, mesmo com o advento da tecnologia audiovisual, a maioria esmagadora do conhecimento acumulado pela humanidade mantêm-se vivo por meio de escrituras. Dessa forma, o analfabetismo de cerca de 11.3 milhoões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia, IBGE, implica em uma parcela grande da população que tem seu acesso limitado à infomação. Nesse espectro, de maneira análoga ao que aconteceu na idade medieval, a alienação de pessoas por falta de conhecimento abre espaço para a manipulação e criação de dominações ilegítimas, a exemplo dos monarcas vistos como a personificação de Deus na terra.
Ademais, de modo análogo ao processo de surgimento das favelas no Brasil em razão da inexistência de uma política de reintegração pós abolição da escravidão, o analfabetismo no país é um grande entrave para a ascensão socioeconômica. Outrossim, consoante com o pensamento de John Rawls, filósofo americano, a justiça é a primeira virtude de uma sociedade promissora e, para tanto, necessita de oportunidade iguais para todos independente de qualquer fator. Nesse sentido, o slogan brasileiro, “ordem e progresso”, é incoerente com o contexto do país que ainda não encontrou uma solução definitiva para o analfabetismo.
É substancial, portanto, que medidas sejam tomadas para a resolução do impasse. Antes de tudo, é essencial que o Ministério da Educação garanta a oferta de educação gratúita e adaptada para diferentes públicos e faixas etárias por intermédio de aulas públicas ministradas por voluntários. Além disso, a fim de permitir que a população possa aproveitar essa oportunidade, é primordial que esse projeto conte com um auxílio financeiro o qual garanta o bem-estar daquele que desejar ser alfabetizado, mas não possua tempo em decorrência do trabalho. Tal incentivo seria aplicado somente àqueles que participassem ativamente das aulas para viabilizar sua implementação. Somente assim, a história poderá se repetir como no renascimento que deu um fim ao feudalismo e um primeiro passo contra uma era de alienação e imobilidade social.