Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 04/01/2021
O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível à coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente às consternações as quais dificultam o processo de alfabetização no País, interfere nas relações sociais e do bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, à carência de medidas socioeducativas que promovam a instrução dos indivíduos, bem como a falta de orientação sobre tal ação pela família. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as insituições formadoras de opinião, com o fito de superar tais mazelas.
Convém ressaltar, a princípio, que a questão estatal e sua aplicação contribuem para potencializar o problema. Nesse ínterim, de acordo com Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Sob esse viés, denota-se a precariedade no sistema de ensino nas escolas, haja vista não haver o investimento suficiente em prol da capacitação especializada dos docentes para propiciar a formação de base em leitura e matemática dos alunos, além da escassez em tecnologia, a exemplo de livros e jogos virtuais como materiais de apoio. Tal cenário comprova-se por dados da Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), a qual registrou que cerca de 11,5 milhões de pessoas consideram-se analfabetas. Com efeito, essa conjuntura corrobora para a marginalização social dos brasileiros, em virtude de provocar o crescimento do analfabetismo funcional, fato que agrava o evento.
Cabe salientar, outrossim, a conformidade do contexto em voga com a premissa da filósofa Hannah Arendt, a qual afirma que a negligência em relação ao outro constitui um grande dilema da modernidade. Nesse sentido, infere-se a omissão dos familiares em ajudar os indivíduos no aprendizado da linguagem oral e escrita, tendo em conta, ainda existir uma parcela ínfima dos pais que possui o hábito da leitura, o que, por sua vez, acarreta o desinteresse pela escola por dificuldades de compreensão textual, principalmente no período infanto-juvenil. Isso posto, percebe-se a coerência com a teoria arendtiana ao assegurar a ausência de empatia, intensificada, mormente, pelo estreitamento do afeto intrafamiliar, como fator potencializador da má formação pedagógica na minoridade.
Urge, portanto, que, mediante a realidade nefasta do analfabetismo, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, compete ao poder público, em sinergia com o Ministério da Educação, possibilitar a criação de um programa de especialização docente, por intermédio de cursos em pedagogia e magistério, além do investimento em livros e jogos “on-line”, no intuito de permitir a interpretação de letras e números com qualidade. Ademais, compete à família realizar atividades orais e escritas como a leitura de histórias em quadrinho e a prática do letramento a partir de cartilhas do “ABC”, a fim de fortalecer a base educacional dos filhos. Destarte, a coesão de Durkheim será efetiva.
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