Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 03/01/2021

No livro “Quarto de despejo” de Carolina Maria de Jesus, a autora narra em seu diário pessoal sobre a sua experiencia como catadora de lixo e convivência com a fome, mesmo sem conhecimentos gramaticais amplos, e como a educação foi uma válvula de escape para fugir da sua realidade. Fora da literatura, casos assim ocorrem por conta da falta de acesso à educação publica de qualidade, o que forma um cenário de analfabetismo entre os brasileiros, e por conseguinte, atrapalha na sua formação. Tal cenário é corroborado por conta da falta de investimentos na educação, tanto pela Estado, quanto pela família. Assim, é substancial ressignificar esse cenário em que a educação não seja protagonista em uma nação.

Nessa perspectiva, é válido destacar a falta de recursos voltados para área educacional. Isso porque, o Estado não oferta educação plena e de qualidade para os alunos, sobretudo, no contexto de pandemia, visto que recursos tecnológicos como tablets, notebooks e até mesmo internet são escassos para a maioria dos estudantes na rede pública de ensino, e corroboram para um péssimo ensino nesse contexto pandêmico. O que ratifica isso são os 20 milhões de alunos que deixaram de ter aula durante a pandemia segundo a pesquisa do instituto DataSenado. Dessa maneira, é inviável exigir uma pátria desenvolvida sem o maior instrumento de transformação social: a educação.

Outro fator contribuinte é a desvalorização dos estudo pela família. Isso é dado em razão das péssimas condições sociais em alguns lares, e em razão disso as crianças e jovens são obrigadas a trabalhar e deixam de ser devidamente alfabetizadas na idade certa, o que configura um futuro sem muitas oportunidades. Segundo Immanuel Kant “o homem não é nada além do que a educação faz dele”. De forma análoga, a sociedade age conforme o pensamento de Kant, dando oportunidades somente a quem tem estudos e um “bom currículo”, e assim, não há como haver esse crescimento social dos indivíduos sem o apoio da família nas fases iniciais da vida escolar. Dessa forma, se não houver uma mudança de pensamento por parte da família, o futuro do país estará comprometido.

Depreende-se, portanto, que a alfabetização está em declínio do país, e isso deve ser atenuado. Para tanto, cabe ao Poder Público, promover a melhoria da educação no país, por meio do envio de verbas para as escolas, para a compra de tablets e chips com internet, com o fito de garantir o acesso ao ensino, e com isso, a alfabetização a todos. Ademais, é papel da mídia, como maior formador de opiniões, gerar reflexão na família acerca da alfabetização, por meio de propagandas televisivas e palestras, que exponham as vantagens da educação para a formação do cidadão. Desse modo, haverá uma nação mais igualitária educacionalmente, além de uma realidade oposta a de Carolina Maria.