Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 03/01/2021
Sem apoio escolar e necessitando de dinheiro imediato, Fabiano, personagem do livro “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, sofre constantemente com o fato de ser analfabeto e sonhar com uma vida melhor. Analogamente, apesar de ser uma história fictícia, evidencia-se, no Brasil, diversos casos de analfabetismo, ressaltando os desafios para minimizá-lo. Dessarte, é importante destacar o imediatismo social e a falta de um apoio individual nas escolas como precursores dessa problemática.
Primeiramente, a necessidade de dinheiro rápido, no Brasil - onde há alta desigualdade -, permite a desistência no âmbito educacional. Assim, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, é evidente a presença do imediatismo na sociedade, permitindo que os cidadãos sempre busquem lucros instantâneos. Desse modo, a alfabetização, por ser demorado, é desvalorizado pelos alunos, os quais optam pela procura de um emprego. Com isso, tal problemática favorece as taxas de evasão escolar, como dito pela revista “Exame”, promovendo o analfabetismo.
Ademais, sem o apoio dessas instituições educacionais na vida do aluno, essa situação é agravada. Diante disso, de acordo com o educador Paulo Freire, as escolas têm se importado somente em graduar os jovens, sem focar nas suas dificuldades individuais. À vista desse fato, muitos cidadãos acabam se tornando analfabetos funcionais, já que não tiveram um apoio individual nesse âmbito, como ressaltado no livro “Vidas secas”. Destarte, 13% dos jovens que concluiram o Ensino médio estão nessa categoria, destacando a necessidade de mudanças imediatas.
Portanto, evidencia-se a obrigação de minimizar o imediatismo social e promover um apoio individualizado no aprendizado. Para tal o Ministério da Educação deve, por meio das escolas - principais responsáveis pela mudança de comportamento - promover encontros individuais com os estudantes. Dessa maneira, nessas reuniões, os professores devem explicitar os efeitos do imediatismo e auxiliar nas dificuldades educacionais de cada um, favorecendo o processo de alfabetização no Brasil.