Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 03/01/2021

No documentário “Pro dia nascer feliz”, lançado em 2005 pelo diretor brasileiro João jardim, é retratado as diversas realidades da educação brasileira e como esse problema aprofunda a desigualdade social no país. Entretanto, mais de uma década depois da obra, ainda existem desafios para a alfabetização no Brasil. Com efeito, a fim de reverter esse cenário educacional degradante, cabe combater o ensino precário, o qual ocasiona o distanciamento do acesso à cidadania.

É imprescindível destacar, de início, que a estrutura incipiente dos centros de ensino impede a efetividade da alfabetização. Segundo Magda Soares, especialista em alfabetização, o processo de letramento brasileiro é um sistema bastante abstrato baseado na representação dos sons, o que dificulta a aprendizagem eficiente da criança. Nesse sentido, a estrutura física sucateada das escolas públicas e, também, a metodologia pragmática e pouco inclusiva desses centros vão ao encontro da tese de Magda, o que contribui numa alfabetização precária e, por conseguinte, limita a acesso dos indivíduos a informações básicas. Logo, uma atmosfera degradante que exclui parcela significativa da população.

Consequentemente, o analfabetismo se traduz na perda de cidadania. A esse respeito, o artigo 205 da Constituição Federal garante a educação como um direito social de todos. No entanto, quase doze milhões de brasileiros com mais de 15 anos – segundo dados da Pnad – são considerados analfabetos e, portanto, incapazes de compreender conceitos e informações básicas, o que distancia esses indivíduos dos espaços de falar e do acesso a direitos fundamentais. Assim, enquanto um direito social for negligenciado, é razoável a intensificação da desigualdade no país.

Fica claro, portanto, que esse cenário educacional deficitário deve ser devidamente combatido. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação – instância máxima responsável pelas diretrizes educacionais do país – ampliar o programa “Brasil Alfabetizado”, mediante maior direcionamento de verbas para modernização dos centros e atualização da metodologia de ensino, a fim de garantir uma plena efetividade na alfabetização e, por consequência, mudar a realidade degradante abordada na obra de João Jardim.