Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 03/01/2021

Na Grécia, há séculos, os sofistas surgiram como precursores da educação. Anos mais tarde, no Brasil, os jesuítas iniciaram ensinamentos da língua portuguesa para os povos nativos que possuiam línguas diversas. Entretanto, na atualidade, parte do povo brasileiro ainda sofre com o analfabetismo devido aos desafios da alfabetização no país, o que exige um debate. Nesse cenário, é preciso analisar o analfabetismo funcional e a desigualdade social como grandes obstáculos para o enfrentamento da problemática.

Inegavelmente, a incompreensão dos símbolos usados pela língua promove um estado de anomia contrário à coesão social. Isso ocorre porque, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, as instituições sociais não estão cumprindo plenamente seu serviço. Ou seja, o número de analfabetos funcionais se relaciona com a atuação falha das escolas em proporcionar um ensino de qualidade aos estudantes, o que os incapacita para seu convívio social, segundo Aristóteles. Logo, as instituições de ensino precisam transmitir aos alunos que existe uma funcionalidade para os conteúdos aprendidos em sala de aula, como a interpretação, fator essencial para manter uma boa relação com outras pessoas.

Além disso, a qualidade da leitura é fortemente influenciada pelo nível socioeconômico (NSE). Isto é, a medida que a classe social se eleva, mais eficiente a leitura do aluno se mostra, de acordo com a Avaliação Nacional de Alfabetização a qual revelou que o nível com o NSE mais baixo teve menos de 24% de média, enquanto no nível mais alto ela estava próxima dos 70%. Assim, mesmo que a Carta Magna brasileira assegure a educação a todos os cidadãos como um direito básico, essa não é a realidade brasileira. Portanto, para que o dever do Estado seja cumprido, é fundamental a criação de políticas públicas para às famílias de baixa renda.

Em síntese, para promover a educação garantida pela constituição, é preciso combater a desigualdade social e o analfabetismo funcional. Para isso, o governo do estado precisa formular de políticas socioeconômicas, com o fim de melhorar a distribuição de renda, por meio da manutenção de um sistema de impostos progressivo, além de bolsas de estudo para que crianças de famílias carentes não precisem sair das escolas para trabalhar. Simultaneamente, cabe às instituições de ensino apresentar aos alunos como unir o que é aprendido em sala com sua rotina, informando didaticamente sobre a importância de uma boa interpretação para o convívio social, com o fito de incentivar as crianças e adolescentes a exercitarem suas análises cognitivas. Dessa forma, a anomia social durkheimiana do analfabetismo será combatida.