Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 04/01/2021

Na distopia “1984” de George Orwell, eram utilizados mecanismos como a “Novilíngua” (linguagem extremamente restrita), a privação à educação e ao conhecimento da história da nação. Esses meios eram eficazes para a manipulação da sociedade, tendo em vista a alienação que a falta de estudos pode provocar. Dessa forma, é indubitável a importância da educação e da alfabetização para o progresso social e, embora 11 milhões de pessoas ainda estejam irregulares no estudo, essa situação deve ser revertida e os cidadãos brasileiros devem receber esse direito adequadamente.

Nesse contexto, o sociólogo Pierre Bordieu afirma a existência de um estruturalismo construtivista, ou seja, a desigualdade presente, principalmente na educação. Assim, não só o acesso às escolas são suficientes, mas sim um ensino eficaz e adaptado ao capital cultural e necessidades do aluno, pois só com a contextualização, o aprendizado será efetivo. Contrariamente a isso, apenas a disponibilização do ambiente escolar é incapaz, visto que consuma em analfabetos funcionais e jovens desmotivados na busca do conhecimento e de realidades melhores.

Outrossim, a realidade brasileira fere o artigo 6° da Constituição Federal,o qual garante o direito à educação e, por conseguinte, à perspectiva do mercado de trabalho e da ascensão social, o que, por vezes, é uma utopia, posto que o ensino sem investimentos reais, gera o aumento de empregos informais e a continuação do ciclo da pobreza. Ademais, os jovens imersos nesse ambiente sem oportunidades se rendem à indiferença a educação e até mesmo ao abandono escolar, explicitando que o ensino insuficiente é a raiz da desigualdade, porque segundo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transfoma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.

Em suma, é necessário que o Ministério da Educação se volte à ampliação do ensino e da adequação às realidades. Deve, portanto, incentivar a leitura e ampliação do vocabulário, promover cursos profissionalizantes e estudos em tempo integral, bem como atividades artísticas e culturais. Desse modo, o interesse à educação será resgatado, para que a alfabetização aconteça de fato e as perspectivas se ampliem, não só no mercado de trabalho, mas também na criticidade do pensamento, ao contrário da distopia e ao encontro de uma sociedade mais justa, geradora de empregos e oportunidades.