Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 04/01/2021
Na saga de livros “desventuras em série”, os órfãos Baudelaire recorrem a leituras e à escrita para enfrentar as adversidades inerentes à vida e ao Conde Olaf, o vilão. Transbordando a ficção, muitos indivíduos, no Brasil, não conseguem ler, escrever e compreender textos por fatores que impedem uma vida digna, tais quais o analfabetismo e o analfabetismo funcional. Observa-se, pois, a premência do desenvolvimento de estratégias para combater os desafios brasileiros do processo de alfabetização.
Em primeira instância, a teoria da Tábula Rasa de Locke afirma que o homem nasce como uma folha em branco e vai sendo preenchida pelos seus conhecimentos ao longo do tempo. Analogamente, no que se refere aos conhecimentos da alfabetização, muitos brasileiros ainda são como uma folha em branco. Nesse sentido, muitos estudantes de escola pública apresentam dificuldades para ler e escrever por um ensino de má qualidade e falta de acompanhamento dos pais, causando, muitas vezes, a evasão escolar. Ademais, em virtude da grande parte dos analfabetos ser adulta ou idosa, a escolarização é repleta de obstáculos, como a falta de tempo, a baixa autoestima e a falta de bagagem escolar. Desse modo, é irrefutável que a escassez de apoio escolar e familiar e a elevada idade são desafios para a garantia da alfabetização no Brasil.
Para além dessa reflexão, consoante ao pensamento aristotélico, “a educação tem raízes amargas, mas seus frutos são doces”. Sob essa ótica, muitos brasileiros se recusam ou não têm a oportunidade de provar as raízes amargas e colhem frutos amargos. Nesse viés, por conta do ensino de baixa qualidade da rede pública, muitos jovens não têm uma formação integral, com leitura e escrita constantes, e enfrentam dificuldades para compreender a língua portuguesa. Outrossim, pelo excesso de uso da internet, obrigatoriedade de leituras arcaicas e carência de incentivo familiar, as crianças e adolescentes não desenvolvem hábitos de leitura, o que compromete sua escolarização e interpretação. Logo, é inegável que a ausência de uma formação integral e do hábito de leitura fomentam o crescimento de analfabetos funcionais.
Depreende-se, portanto, que o analfabetismo e o analfabetismo funcional impedem uma vida digna e harmoniosa e acomete muitos indivíduos. Dessa maneira, é basilar que o Ministério da Educação promova seminários educativos, em suas plataformas digitais, por meio de palestras e debates com professores e pedagogos, acerca de instruções para incentivar uma formação integral, com o hábito de leitura e escrita para com os alunos, com o fito de mitigar os desafios para a alfabetização no Brasil. Destarte, formar-se-ão alunos, jovens, adultos e idosos, alinhados com a escolarização integral: leituras, escritas e interpretações de bom nível.