Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 13/01/2021

O ex-reporter, Charles Duhigg, em seu livro “O poder do hábito”, de 2012, exemplifica o quanto a mudança de hábitos ou costumes é difícil, mas necessária às melhorias sociais e pessoais. O Brasil iniciou esse progresso quando saiu do completo analfabetismo e se interessou pelos folhetins, introduzidos, na então colônia, pela Família Real. Contudo, o interesse social pelas estórias retratadas nas páginas, não foi acompanhada por investimentos equânimes no processo de letramento, o que reflete até hoje nos índices de alfabetização.

Nesse contexto, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD, 2019) aponta um percentual de 6,8% de analfabetos no país, realidade que gera - especialmente em pessoas de baixa renda - menos autonomia e menos oportunidades de mudança de status social. Desse modo, sem o conhecimento de mundo proporcionado pela leitura e escrita funcionais, o indivíduo não reconhece as mazelas nas quais está inserido, logo, não reconhece a si mesmo como parte atuante do aparato social, tal como a protagonista Macabéa, em “A hora da estrela”, de Clarice Lispector. Nesse sentido, os baixos índices de alfabetização corroboram as desigualdades que há séculos o Brasil está imerso.

Ademais, o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI) mostrou, em 2019, uma queda de 56% no investimento em educação nos últimos quatro anos, situação que torna mais desafiador o acesso a um ensino básico de qualidade, haja visto que este já recebe recurso inferior ao ensino superior. Dessa forma, com o processo de alfabetização oneroso e desigual, as disparidades tendem à aumentar, impactando, sobremaneira, nos índices de evasão escolar, de analfabetismo e de gravidez na adolescência. Sendo assim, o processo de letramento, no contexto nacional, resume-se ao simples ato de assinar o próprio nome.

Evidencia-se, portanto, grandes desafios à alfabetização no Brasil. Em suma, são necessárias medidas que reduzam essa problemática. Logo, cabe à sociedade civil engajada - como o apoio comunitário a Rosa Park, condenada por sentar em lugar de branco no ônibus de Montgomery, no livro de Duhigg - às escolas e às ONGs de atuação social incentivar mobilizações populares - a exemplo de passeatas e assinaturas de manifestos - a partir da divulgação em redes sociais sobre o sucateamento do ensino básico, além de esclarecimento e de debates com pais, alunos e público em geral, a fim de equalizar e dar liberdade de acesso ao letramento a todos os brasileiros.