Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 05/01/2021

A Constituição Brasileira de 1988 foi pioneira ao assegurar o direito ao voto dos analfabetos. Entretanto, partindo desse pressuposto, a autorização tardia dessa ação denota não apenas o processo de desumanização que essa minoria vivencia, mas também a inoperância do Estado no enfrentamento ao problema do analfabetismo. Em vista disso, é necessário discutir os empecilhos no processo de alfabetização no Brasil.

Inicialmente, convém destacar que a problemática da alfabetização está intimamente ligada às questões de renda. Segundo o estudo “Mapa do Analfabetismo no Brasil”, desenvolvido em 2010, os índices de analfabetismo são 20 vezes maiores entre pessoas pobres, dado que ratifica a falha do Estado em garantir uma educação básica pública de qualidade, ao passo que potencializa a manutenção das discrepâncias sociais. Assim, com a falta de infraestrutura e materiais de estudo adequados, os óbices enfrentados pela alfabetização nas escolas mostram-se consequência da indiligência do Estado e do sucateamento da rede pública de ensino por parte desse, tratada com negligência pelos órgãos governamentais justamente por ser permeada majoritariamente pela parcela carente da população.

Outrossim, a condição de analfabeto atribui aos indivíduos que a comportam um status de inferioridade e marginalização. Em seus estudos, o educador Paulo Freire afirmou que o analfabetismo é uma proibição imposta às classes populares. Dessa forma, é possível afirmar que a alfabetização é, para além de sua definição usual, uma asseguração de dignidade e cidadania. Consequentemente, ao não terem acesso ao letramento, os analfabetos são desconsiderados como indivíduos e têm sua integridade violada.

Portanto, diante das problemáticas expostas, medidas são necessárias para combater o analfabetismo no país. Logo, depreende-se a urgência de uma ação do Estado em conjunto com o Ministério da Educação, mediante a elaboração de um projeto de alfabetização visando, por meio de materiais adequados e aulas lúdicas, promover o letramento nas redes de ensino básico públicas e privadas. Consequentemente, é firmado não apenas o entendimento de leitura e escrita, como também fomentado o pensamento crítico e a interpretação textual. Ademais, a extensão do projeto para outros alunos com defasagem na alfabetização e a abertura para a comunidade, permitindo a participação independente de gênero, escolaridade e faixa etária, trariam um enfrentamento amplo ao problema. Destarte, a alfabetização é garantida para todos no Brasil, propiciando a erradicação de tal mazela.