Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 06/01/2021

Na obra “Capitães da Areia”, escrita pelo romancista Jorge Amado, um grupo de jovens é submetido à condições insalubres. Nesse cenário, a extrema desigualdade social infere mazelas no processo de alfabetização dos garotos, tal qual o desamparo governamental na extinção do analfabetismo. No Brasil Pós-Moderno, analogamente, os desafios do processo de alfabetização se veem atrelados à histórica desigualdade social e à notória desvalorização do ensino no país. Desse modo, faz-se imprescindível o debate acerca da proposição de intervenções que mitiguem tal excludente cenário.

Mormente, ao tomar como norte uma perspectiva estritamente histórica acerca do advento da dicotomia social no país, nota-se replicações na contemporaneidade. Nesse ínterim, em meio ao processo de expansão napoleônica, iniciou-se o Período Joanino no Brasil, de modo que instituísse uma alteração na relação centro-periferia. Desse modo, uma série de reformas urbanas promoveu a retirada da população carente das regiões centrais, em vias do afastamento dos populares das estruturas básicas da sociedade, tal qual o acesso à educação. Nessa perspectiva, na modernidade, o analfabetismo faz-se presente em grande escala nas periferias urbanas, haja vista a histórica determinação social da negação do acesso à população menos afortunada e distante dos centros.

Outrossim, vale ressaltar a máxima sociológica em torno da relevância social da educação no país. Nesse sentido, destaca-se a ótica de Nelson Mandela, líder africano no combate ao regime do Apartheid, ao entender a educação enquanto a arma mais poderosa para combater os problemas mundiais. Em suma, Mandela infere a possibilidade de se combater as problemáticas globais por meio do ensino, em contraposição à necessidade dos propositores em munir armamentos para confrontos. No entanto, a negligência governamental infere dificuldades no processo de alfabetização no país, de modo em que a falta de investimentos no combate ao analfabetismo determina a manutenção desta mazela na sociedade, haja vista o papel mister do Estado em gerir as estruturas educacionais.

O processo de alfabetização, portanto, enfrenta barreiras preocupantes no brasil. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação, principal órgão responsável pelo ensino no país, promover campanhas de alfabetização nas periferias, tal qual a criação de grupos de estudos dedicados à população analfabeta, composto por profissionais da educação residentes nas próprias periferias. Tal medida prevê a extinção do antagonismo social na educação e, ainda, fornecer empregos aos moradores. Além disso, cabe ao Governo Federal, em parceria às secretarias de educação, investir massivamente na educação pública, de modo que comprove o papel mister do Estado no combate ao analfabetismo. Somente assim, atenuar-se-á o excludente cenário, a exemplo do retratado no romance de Jorge Amado.