Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 05/01/2021
Em torno de 4000 a.C, povos mesopotâmicos desenvolveram a escrita, fator contribuinte para a transmissão de conhecimentos e melhorias sociais. Nesse viés, a alfabetização tornou-se imprescindível nas sociedades, embora encontre empecilhos para a sua universalização, haja vista o alto número de analfabetos no Brasil. Essa situação é decorrente da evasão escolar e da falta de investimentos estatais no setor educacional do país, sendo necessário reverter esse quadro.
Em primeira análise, a Constituição Federal de 1988 prevê o direito ao acesso e à universalização da educação. Todavia, tal prerrogativa não é exercida plenamente, visto que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de dois milhões de crianças e adolescentes estão fora da escola, algo que não deveria ocorrer. Por consequinte, inúmeros indivíduos não adquirem os conhecimentos linguísticos necessários e permanecem analfabetizados. Isso é retrado no documentário " Fora de série", o qual mostra a vida de alguns evasores escolares e as dificuldades relacionadas à falta de alfabetização, tais como problemas de leitura, interpretação de imagens e textos, além das complicações para entrar no mercado de trabalho, afinal, uma das características do volvismo vigente é a exigência de qualificação profissional.
Em segundo lugar, consoante com Pierre Bourdieu, o importante hábito de leitura e interpretação podem ser formados, no meio familiar e escolar, desde a infância. Nesse sentido, é notável, não raro, a escassez de incentivos governamentais e familiares à alfabetização, o que contribui diretamente com o aumento de analfabetos no Brasil, o qual corresponde a quase 11 milhões de pessoas, conforme a Agência Brasil. Esse fato, aliado ao pouco investimento educacional do governo na infraestrutura escolar e em métodos didáticos de ensino, como feiras de leitura envolvendo a família e os alunos e aulas que conciliem o cotidiano desses com os conteúdos obrigatórios corroboram com a permanência da problemática. Com isso, inúmeros indivíduos perdem o interesse em aprender coisas básicas exigidas socialmente, como ler e escrever.
Entende-se, portanto, a necessidade de erradicar os empecilhos na alfabetização dos brasileiros. Para tal fim, o Ministério da Educação junto ao Ministério da Comunicação deve divulgar a importância de ser alfabetizado e incentivar hábitos de estudo da linguagem, por meio de palestras públicas e anúncios publicitários nas redes sociais e televisivas, também em libras e com imagens didáticas, visando ao aumento do número de alfabetizados no país. Dessa forma, o analfabetismo pode se tornar passado e a escrita desenvolvida desde 4000 a.C pode estar presente na vida de todos.