Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2021
A “Ilha de Utopia”, do escritor Thomas Morus, retrata uma realidade em que os cidadãos vivem harmoniosamente, de modo a garantir a isonomia de direitos perante todos. Distante da ficção, o Brasil hodierno lida com os entraves relacionados ao processo de alfabetização da população - o qual é desfigurado nas parcelas mais pobres da sociedade -, devido ao descaso estatal e a evasão escolar de menores. Logo, urge a indispensabilidade da união entre legisladores e civis para a reversão desse cenário.
Diante desse contexto, é digna a menção de que a conquista do voto pela esfera social citadina só ocorreu com a Emenda Constitucional de 1985. Apesar de demorado, esse ato configura um marco importante, pois, após séculos de exclusão, os não-alfabetizados puderam finalmente praticar o exercício da cidadania. Porém, a insistente inegebilidade dos analfabetos em cargos públicos corrobora com a importância da educação para a sua participação cidadã efetiva, fato esse dificultado por um ensino coletivo sucateado, seja na infraestrutura, seja na disponibilidade de aulas completas. Com isso, os níveis de pobreza e exclusão tendem a aumentar para o público de aprendizagem, o que é catastrófico.
Outrossim, para o ativista Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa capaz de mudar o mundo. Nesse sentido, o abandono escolar propagado pelas sociedades carentes vai contra a visão progressista, já que o corpo discente vê-se necessitado e, muitas vezes, obrigado a contribuir com as exigências do lar. Logo, o trabalho infantil aparece como alternativa para o que deveria ser garantido constitucionalmente, ou pelo menos são colocados como direitos ao cidadão pela Carta Magna: a educação, a moradia e a proteção à infância. Dada a inoperância de autoridades para a prática democrática da lei, o processo de alfabetizção torna-se um projeto frustrado, mesmo que hajam setores e até ONG’s investindo para a atenuação desse efeito.
Por fim, a instrução do ensino é um passo fundamental para o progresso e precisa ser efetivada de forma igual. Para isso, o Ministério da Educação deve direcionar capital que, por intermédio de uma alteração na Lei das Diretrizes orçamentárias, amplie o setor de investimentos para a colaboração com organizações extra-governamentais de incentivo ao ensino pluralizado, com vistas à formação cidadã respaldada pelo saber e ciente de seus direitos. Ademais, a criação de projetos de lei, pelas prefeituras, os quais associem o lazer à educação, como campeonatos de esportes e gincanas nas escolas, além de atividades extracurriculares remuneradas aos pais de famílias carentes, induzirão à proximidade com a isonomia descrita por Morus.