Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 05/01/2021

Em 1964, Mafalda - personagem fictício de Quino - criticou o comportamento humano contra as mazelas sociais, alegando viver em um mundo baseado na irresponsabilidade humana, seja no campo político, seja na área social. Nesse contexto, ela aponta para a fragilidade do sistema público de educação no combate à evasão escolar na alfabetização, a qual, por falta de investimentos em programas educativos de estímulo à conscientização, promove a não acessibilidade de direitos. Assim, observa-se a necessidade de impulsionar uma maior reflexão sobre os desafios enfrentados para solucionar essa problemática.

A princípio, vale ressaltar os obstáculos encontrados na luta pelo acesso ao ensino. Nesse sentido, Mário de Andrade afirmava que o histórico mundial deve ser utilizado como mecanismo de reflexão e de aprendizagem, com vistas à permitir que a população evolua de maneira distinta ao passado. Esse pensamento pode ser utilizado para se referir ao Período Colonial, quando a sociedade, predominantemente racista, acreditava na ideia de que o grupo negro era incapaz de obter conhecimento, a fim elitizar o processo de alfabetização. Tendo em vista tais fatores, observa-se a construção de uma sociedade que banaliza a associação da não inteligência à raça e discrimina a inserção do negro na escola.

Além disso, é evidente que a influência do ensino, no cultivo de uma ótica social mais consciente, em relação ao acesso à alfabetização, estabelece a base para o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária e menos discriminatória. Contudo, a ausência de investimentos pelo Ministério da Educação em palestras e em gincanas escolares, ambas capazes de alertar a população sobre a necessidade de discutir acerca dos desafios da alfabetização no Brasil, contribuem para o desconhecimento do direito à educação de todos os cidadãos, cuja lei busca minimizar a desigualdade de acesso à oportunidade no ambiente escolar.

Depreende-se, portanto, que ações a favor da alfabetização igualitária da população brasileira devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino, deve investir em programas de educação social para estimular uma mudança comportamental dos habitantes sobre a alfabetização. Isso ocorrerá por intermédio da disponibilização dos “mutirões da conscientização”, os quais se baseiam em eventos para alunos e comunidade, com o objetivo de diminuir a banalização de preconceitos, a discriminação e a evasão escolar na alfabetização. Dessa forma, busca-se construir um mundo com menos irresponsabilidade humana, cujo local Mafalda pudesse elogiar.