Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 06/01/2021

O período da Ditadura Militar no Brasil, apesar de infeliz, mostrou uma preocupação crescente com a alfabetização dos brasileiros. Desde então, vários métodos foram desenvolvidos e implantados para que haja a plena adesão das habilidades de leitura, escrita e interpretação pela população. Entretanto, é fato que essa conjuntura sofre diversos entraves em atingir as parcelas com menos recursos da sociedade. Dito isso, a herança colonial e o descaso governamental tornam-se os principais agravantes dessa apatia. Logo, é urgente que essa idiossincrasia nefasta seja erradicada.

Em primeiro plano, o pensamento herdado dos colonizadores ampara a questão da exploração de grupos de vulneráveis, em detrimento dos direitos deles à educação. De fato, durante o período colonial, os índios foram usados e manipulados pelos portugueses para alavancar seus lucros por meio do aproveitamento abusivo das terras brasileiras. De maneira análoga, na modernidade, o capitalismo insere o trabalhador analfabeto e sem qualificações em contextos similares, tal situação perpetua a lógica colonialista e a privação do acesso à educação, para obter mão de obra barata. Dessa maneira, a exploração trabalhista deve ser combatida para a consolidação do processo de alfabetização.

Outrossim, o Poder Público não age de maneira eficaz para a cessar a problemática. Sob esse viés, o educador brasileiro Paulo Freire dedicou a carreira para estudar e aplicar métodos de ensino baseados na construção pessoal do educando, devido a sua interpretação de que a educação deve seguir o contexto em que cada indivíduo está inserido. Entretanto, em um país, como o Brasil, com relevantes índices de desigualdade social, torna-se ineficaz, não somente a padronização da educação, mas também a maneira que os empecilhos desta são preteridos. Destarte, é necessário que o Poder Público reverta essa realidade ao investir, também, na erradicação da evasão escolar e disparidade de renda, os quais estão relacionados à concretização da educação.

Urge, portanto, a necessidade de findar os entraves do processo de alfabetização no Brasil. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), principal detentor de poder sob essa questão, deve adaptar a educação para os diversos contextos sociais. Sob esse ponto de vista, isso deve ocorrer por meio da capacitação de professores, especialmente em instituições dos locais com maiores índices de pobreza, para que o processo de aprendizado seja mais relacionado à realidade desses cidadãos. Além disso, o MEC deve se associar ao Ministério do Trabalho para promover a alfabetização de trabalhadores que não possuem essa capacidade, por intermédio da criação de um projeto de lei que faça com que as empresas ofereçam essa capacitação. Dessa maneira, o direito aos pilares mais básicos da educação poderá ser oferecido de forma justa à população.