Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 06/01/2021
A série “Segunda Chamada”, exibida na Globo, retrata a vida de alunos que, devido às adversidades — longa jornada de trabalho, problemas familiares, gravidez — largaram a escola quando eram mais novos, mas voltaram e veem nos estudos a possibilidade de mudarem a vida. Análogo a isso, no contexto hodierno, muitas pessoas deixam a escola pelos mesmos motivos e nem sempre voltam. Nesse sentido, torna-se fulcral o debate acerca dos desafios para a alfabetização no Brasil. Desse modo, urge analisar como a desigualdade social e a falta de investimentos em educação corroboram para esse quadro.
Em primeiro plano, é lícito postular que, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, o Brasil possui 11 milhões de analfabetos, dentre esses a maioria se concentra na zona rural. Nessa perspectiva, observa-se que a desigualdade social é uma das principais causas do analfabetismo, uma vez que pessoas marginalizadas estão mais propensas a não frequentarem a escola, pois necessitam trabalhar para poder sobreviver. Seguindo essa linha, a falta de letramento perpetua-se nessas áreas porque os jovens têm a mesma necessidade de trabalhar e ajudar no sustento da família. É incontestável, portanto, como a desigualdade social compromete a erradicação do iletrismo.
Por conseguinte, é imperioso ressaltar que, a educação de qualidade para todos é dever do Estado e direito assegurado pela Constituição Federal. Entretanto, nota-se que o Estado não cumpre seu papel, visto que falta infraestrutura adequada, como laboratórios e bibliotecas, na maioria das escolas públicas. Diante disso, há a baixa taxa de aprendizagem, pois segundo um estudo divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, alunos que estudam em ambientes com boa infraestrutura possuem desempenho melhor do que aqueles que estão em escolas desestruturadas. Nesse viés, infere-se que, para o analfabetismo deixar de ser um empecilho faz-se necessário o direcionamento de verbas para a educação.
Logo, torna-se imprescindível a tomada de medidas públicas que alteram esse quadro. Sendo assim, o Governo, por meio do Ministério da Educação (MEC), deve fazer um mapeamento das maiores taxas de analfabetismo e promover ações nessas áreas, tal como melhoria das escolas, incentivo e assistência para pessoas voltarem ao ambiente escolar, promover o EJA e qualificar professores, com intuito de diminuir e até extinguir o iletrismo. Outrossim, o MEC, mediante palestras nas escolas, deve divulgar a importância da formação escolar na vida do ser humano, além de oferecer gratuitamente oficinas de leitura e escrita, com a finalidade de ampliar o letramento a população. A partir dessas ações, apesar das diversidades, as pessoas voltaram à escola, tal qual na série “Segunda Chamada”.