Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 10/01/2021

A educação, de acordo com o filósofo estóico Sêneca, é o âmbito que necessita de maior cuidado, pois influi sobre toda a vida do indivíduo. Não obstante, no Brasil, ela se encontra prejudicada, visto que, apesar das tentativas governamentais de erradicar o analfabetismo, como previsto na Constituição de 1988, o índice ainda não é o adequado, com destaque para a significativa parcela de analfabetos funcionais. Outrossim, os desafios da alfabetização no país se intensificam com a priorização de métodos de ensino, ao invés da real aprendizagem, aliado à baixa valorização dos educadores e os desafios impostos pela educação à distância devido a pandemia de COVID.

Ainda que a taxa de analfabetismo esteja em queda, os meios de ensino se encontram deficitários, ao passo que focam no método e não na aprendizagem, o que reflete no índice persistente de analfabetos funcionais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018, 30% dos brasileiros com mais de 15 anos, que aprendem a ler e escrever, são analfabetos funcionais, o que comprova que não há uma prioridade na educação para a formação cidadã, como elucidado por Sêneca, mas sim no letramento. Ademais, tal dado preocupante levou o governo a buscar novos recursos para promover um ensino integral e eficiente.

Ademais, destaca-se as novas diretrizes para a alfabetização nacional de 2019, que prevê o ensino até os 8 anos. Apesar disso, tal programa recebe duras críticas, visto que muitos educadores o consideram voltado para a alfabetização fonética, o que de acordo com especialistas, como a americana Catherine Snow, é insuficiente para a educação integral. Se por um lado há críticas pertinentes à priorização do método de ensino, por outro há um notório suporte aos educadores durante o contexto da pandemia. Haja vista os programas (tal como o ABC - Alfabetização Baseada em Ciência) que buscam se assemelhar a países com êxito na educação, como Portugal, na tentativa de garantir um ensino amplo.

Destarte, ressalta-se a necessidade de um consenso entre os meios de alfabetização, o dinamizando, para que ela não seja apenas voltada para a aprendizagem de palavras, mas sim para a formação de cidadãos críticos, visando diminuir o analfabetismo funcional. Para tal, o poder executivo, por meio do Ministério da Educação, deve ampliar os cursos online e gratuitos, buscando ampla abrangência, tanto para educadores quanto para alunos e responsáveis, ministrados por profissionais da educação e das ciências humanas, de modo a promover debates a respeito dos métodos de educação e da importância da inserção de elementos culturais no ensino, para que a aprendizagem seja efetiva e não meramente decorada.