Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 10/01/2021

Em meados de 1988, foi promulgada a Constituição federal, documento esse que garante o direito de acesso a educação para todos os cidadãos. Contudo, desafios relacionados à dificuldades de alfabetização no país evidenciam que uma parcela não tem seu direito garantido por lei. Dessa maneira, é importante ter em conta as dificuldades que fazem com que algumas pessoas não tenham plena formação no que tange ao entendimento da lingua escrita, encontrados: ora na negligência do governo, ora na modernidade líquida mal aplicada.

É relevante abordar, primeiramente, que a Educação é um dos principais pilares na construção de uma nação desenvolvida. Ademais, tendo em conta que o Brasil ocupa a nona posição na economia mundial, segundo o Fundo Monetário Mundial (FMI), é racional pensar que o país possua um sistema de ensino eficiente no que se refere à alfabetização das pessoas. Conquanto,o que acontece é exatamente o contrário e isso se reflete na reduzida taxa de cidadãos letrados, o que revela um desafio quando se trata do papel do Estado em cumprir com suas obrigações de por em prática os deveres  da Constituição. Sendo assim, prova disso é que um levantamento realizado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (PNAD) revelou que ainda existem mais de 11 milhões de analfabetos em território nacional, o que é preocupante.

Paralelo a isso, vale também ressaltar a modernidade líquida como uma ferramenta a ser explorada no intuito de mediar o obstáculo da alfabetização para todos. Dessa forma, o filósofo Bauman disserta sobre a “líquidez” com que a tecnologia está presente em todas as esferas sociais, agindo de tal maneira que facilite, muitas das vezes, as relações interpessoais. Sendo assim, é de suma importância considerar que os aparelhos eletrônicos, quando não utilizados de maneira eficaz, tornem o desafio pelo letramento igualitário parecer ainda mais distante. Assim, entende-se como é de papel do Estado usar do momento social para levar a educação a todos os lugares, principalmente naqueles em que o ensino não chega de maneira eficaz, os aparatos tecnológicos servirão de “ponte”.Tendo isso em vista, uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que a maioria dos analfabetos se encontram nas regiões norte e nordest , exatamente onde o número de escolas é reduzido.

Fica claro, portanto, que ainda há entraves, como o abandono do Estado e a falta de articulação das tecnologias, para garantir a educação para todos, como assegura a Constituição. Logo, urge que o Governo Federal, como instância máxima do Poder Executivo, atue em favor da população, mediante o uso de verbas advindos de impostos já recolhidos, por meio da criação de projetos na área da tecnologia, que levem a educação onde ela geralmente tem dificuldade de chegar.