Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Na Mitologia Grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma pedra morro acima pela eternidade, a qual retornava todos os dias à base, quando era vencido pela exaustão. Sob tal ótica, esse mito é análogo à luta cotidiana das pessoas não alfabetizadas, que estão sujeitas ao nefasto cenário da dificuldade comunicativa. Destarte, faz-se imprescindível discutir sobre a problemática dos desafios da alfabetização no Brasil, a partir de dois fatores: a negligência estatal e a descriminalização enraizada.
Conforme mencionado anteriormente, a omissão das instituições públicas é um obstáculo. Nesse sentido, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstain, os direitos funcionam apenas na teoria. Com efeito, isso retrata a realidade de muitos brasileiros que, embora tenham constitucionalmente o benefício da educação, não possuem o real acesso ao letramento de qualidade. Dessa forma, fica evidente a íntima ligação da eficiência dos deveres governamentais e a mudança do cenário educativo do país.
Outrossim, o preconceito diante das pessoas sujeitas a tal realidade também dificulta a superação do estorvo. Nesse viés, segundo Pierre Bourdieu, toda sociedade incorpora padrões impostos, os quais reproduzem ao longo das gerações. À partir disso, a ideia errônea, de analfabetos como pessoas atrasadas, culpabiliza àqueles que apenas foram vítimas desse ambiente omisso. Dessarte, tal exclusão desestimula a procura por aprendizagem, sendo assim, para que as iniciativas sejam eficazes, é importante mitigar tamanha ignorância social.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse, desse modo, o Ministério da Educação deve realizar campanhas midiáticas, por meio das redes sociais, que contenham histórias de pessoas que venceram a má alfabetização. Com isso, o projeto terá finalidade, tanto de combater o preconceito, tanto de levar autoestima aos sujeitos à problemática, e por fim, incentivar a escolha de retomar à sala de aula. Ademais, isso será reforçado através da ampliação de programas como EJA, para que tais indíduos encontrem órgãos estatais competentes e sejam auxiliados na busca pelo conhecimento.