Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A Constituição de 1988 garantiu a universalização do acesso à educação, entretanto, somente em 2006 tornou-se obrigatória a matrícula no Ensino Fundamental a partir dos 6 anos. Apesar dessa obrigatoriedade, o número de pessoas que possuem analfabetismo é muito alto. Nesse contexto, é válido afirmar que o processo de alfabetização em questão no Brasil apresenta diversos desafios, tais como o modelo de ensino oferecido, que é responsável pelo analfabetismo funcional, aliado à desigualdade social que é outro grande fator que desafia a educação brasileira.

Em primeira análise, segundo o educador Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, a educação bancária ocorre quando o professor deposita seus conhecimentos no aluno e espera que ele os reproduza. Por conseguinte, os alunos são meros replicadores de conhecimentos alheios e não conseguem formar suas próprias ideias críticas, logo, se tornam analfabetos funcionais e reféns da sociedade. Sendo assim, é visível que a alfabetização precisa ser remodelada, haja vista que deve pautar no ensino libertador, que para Freire, é um ensino que estimula o aluno a participar ativamente na hora de aprender e principalmente a questionar a realidade.

Em segunda análise, a desigualdade social é um dos grandes desafios para o processo de alfabetização da pátria. De acordo com o estudo realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Dito isso, a problemática se encontra na dificuldade de acesso às escolas brasileiras pela população mais pobre, tendo em vista que os infanto-juvenis precisam colocar os estudos em segundo plano nas suas vidas pois necessitam trabalhar para cuidar da família. Dessarte, evidencia-se que, enquanto essa questão persistir, o mundo continuará perpetuador de desigualdades sociais e os indivíduos serão eternos analfabetos.

Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para que os desafios da alfabetização supracitados sejam findados. Urge, então, que a Secretaria de Educação remodele o modelo de ensino bancário atual para um modelo de educação libertadora, por meio de um projeto de lei que se baseie nos ensinamentos de Paulo Freire, com o fito de desmistificar a ideia de que o aluno deve somente aceitar o que lhe for passado, ao passo que, com a nova educação, ele se tornará questionador de sua realidade. Ademais, o estado deve investir na educação pública e criar projetos para democratizar ainda mais o acesso a tal ensino. Dessa forma, não haverá desigualdade ou analfabetismo funcional que proíba as pessoas de alcançar sucesso profissional ou pessoal.