Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2021
O Artigo 1 da Constituição Federal Brasileira declara que a educação é um direito pertencente a todos os indivíduos. No entanto, a limitação prática desse código legal é evidenciada nos baixos índices de alfabetização que persistem no Brasil. Nesse sentido, torna-se claro que essa situação tem origem na falha educacional. Assim, entre os fatores que comprovam essa realidade, estão o modelo de educação arcaico e o impacto da renda no nível escolar.
Em primeiro lugar, evidencia-se como o modelo educacional primitivo atrasa a alfabetização brasileira. Esse quadro advém da falta de inovação das atividades interdisciplinares, as quais se reduzem a uma decodificação rasa da escrita e que não fomenta uma interpretação crítica da leitura. Essa reflexão pode ser confirmada pela afirmação do filósofo francês Michel Foucault, a qual revela que “a vontade do saber é reconduzida pela maneira que o conhecimento é disposto socialmente”. Logo, tem-se, como consequência da alfabetização precária, a diminuição do desempenho escolar. Uma ilustração clara dessa problemática é o baixo nível em leitura e matemática da maior parte dos alunos do 3 ano, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira.
Além disso, percebe-se que a influência da renda no nível de escolaridade influencia, de forma significativa, no aumento do analfabetismo. Isso acontece porque o poder aquisitivo do indivíduo determina as “meritocracias” educacionais que terá acesso. Prova disso tem-se um estudo feito pelo Mapa do Analfabetismo no Brasil, o qual demonstra que a taxa de analfabetos é vinte vezes maior entre os mais pobres. Esse pensamento pode ser observado na obra de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, a qual demonstra que os privilégios são determinados pela hierarquia social. A partir disso, tem-se, como consequência, a submissão dos menos abastados socialmente a uma mão de obra barata.
Portanto, para que o decreto constitucional possa atuar como um potencializador da alfabetização brasileira, são importantes medidas de intervenção. Para isso, o Ministério da Educação, em conjunto com as Secretarias Estaduais e Municipais, deve atuar no investimento em métodos de inovação de aprendizagem, a partir da implementação de atividades dinâmicas que incentivem o potencial crítico dos alunos, garantindo, assim, um maior envolvimento desses estudantes. Além disso, o mesmo ministério, em conjunto com a Secretaria Especial de Desenvolvimento Social, promova a assistência escolar aos indivíduos menos favorecidos socialmente, a qual poderá ser concretizada com a disponibilização de materiais pedagógicos e o acompanhamento de profissionais capacitados que possam auxiliar na aprendizagem dessas classes sociais, possibilitando, assim, a materialização da educação como um direito destinado a toda a sociedade brasileira.