Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Alfabetização como ferramenta de empoderamento social

O artigo 205 da Constituição Federal de 1988 estabelece a educação como um direito de todos e dever do Estado e da família, que visa ao pleno desenvolvimento da pessoa. Contudo, dados apontam a ineficácia do Poder Público ante o exposto no que tange ao processo de alfabetização em questão no Brasil. Isso se deve, sobretudo, a limitada abordagem pedagógica tradicional, cujo professor é tido como detentor do conhecimento, e a falta de materiais eficazes no estímulo a leitura.

Em primeiro plano, vale destacar a perspectiva de Jean Piaget, referência em educação, segundo a qual o aprendizado é contruído pelo aluno. Nesse viés, o processo de aprendizagem se daria de modo individual, considerando aspectos sociais, econômicos, culturais e psicológicos de cada indivíduo. Todavia, o que se observa no Brasil é um sistema tradicional mecanizado que desconsidera as subjetividades, não estimula a interação do aluno com o ambiente escolar e, consequentemente, limita o aprendizado. Em virtude disso, mais de 5% da população brasileira é considerada analfabeta, mais da metade residente na zona rural segundo o IBGE.

Além disso, a falta de materiais que estimulem a leitura é um fator agravante da problemática do analfabetismo. Com efeito, levando em consideração a diversidade de faixas etárias envolvidas no processo, os materiais didáticos fornecidos pelo MEC deveriam obedecer a dinâmica de cada público-alvo, estar constantemente atualizados e chegar a todos os ambientes. Entretanto, é perceptível a falta de incentivo à leitura pelo governo, como aponta a pesquisa do IBGE segundo a qual o Brasil possui uma biblioteca para cada 30 mil habitantes. Esse descaso fomenta não só o analfabetismo mas problemas em diversos setores, indo em contramão à premissa da ativista Malala Yousafzai que afirma que “um livro, uma caneta, uma criança e um professor” podem mudar o mundo".

À luz do exposto, com o objetivo da erradicação do analfabetismo, cabe ao Poder Público a iniciativa da criação de bibliotecas inclusivas e interativas, ou a readaptação das bibliotecas tradicionais existentes, nos municípios brasileiros, especialmente os mais necessitados de estímulos à leitura. Para tanto, é papel do MEC a identificação e o repasse ao governo das áreas com maiores índices de analfabetismo, a partir dos resultados das avaliações diagnósticas (como a Provinha Brasil), e capacitar os profissionais da educação com propostas pedagógicas humanistas e dinâmicas, que cativem o estudante ao processo mútuo de ensino-aprendizagem.