Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 09/01/2021

De acordo com a Constituição brasileira de 1988, a educação é um dos direitos primordiais garantidos ao cidadão. Todavia, no cenário hodierno, tal perspectiva não se efetiva de maneira completa, pois o processo de alfabetização encontra, ainda, significativos desafios para o seu estabelecimento pleno. Tal situação é corroborada, sobretudo, pela intensa desigualdade social existente no território nacional, além da preocupante evasão escolar ao redor do país.

Nessa perspectiva, é fundamental ressaltar que as discrepâncias socioeconômicas impactam diretamente a temática em pauta. Sob esse prisma, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, na obra ‘‘Raízes do Brasil’’, destaca que a segregação social é uma característica inerente à sociedade brasileira desde a sua formação. Diante disso, observa-se que as benesses advindas da educação -como a capacidade de leitura e de desenvolvimento da criticidade - são historicamente difundidas de forma parcial no corpo social, tendo em vista que as classes mais abastadas possuem maior acesso à educação de qualidade. Desse modo, diante da urgência de priorização de necessidades básicas - como alimentação e moradia -, por grande parte das camadas de menor renda, a educação e o consequente processo de alfabetização permanecem em segundo plano no cotidiano de tais indivíduos.

Ademais, a evasão escolar catalisa, de forma direta, o cenário de analfabetismo. Nesse viés, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 20% dos jovens brasileiros não concluíram alguma das etapas da educação básica, o que evidencia a gravidade da conjuntura. Nesse sentido, a necessidade de trabalho - derivada da desigualdade social supracitada -, o desinteresse e as gravidezes precoces são alguns dos principais fatores que levam à evasão, o que dificulta a resolução - em curto e em longo prazo - do problema do analfabetismo, tendo em vista a complexidade de suas raízes. Dessa maneira, mediante a limitação do acesso à informação, aumenta-se a parcela da população excluída, parcial ou totalmente, das dinâmicas socioeconômicas hodiernas.

Portanto, demonstra-se a relevância do debate acerca da problemática em questão. Logo, cabe ao Ministério da Educação a criação de campanhas educativas direcionadas, primordialmente, à alfabetização dos grupos que possuem pouco ou nenhum acesso à educação básica. Tal medida deve ocorrer por meio da contratação de pedagogos que devem atuar, sobretudo, nas áreas mais afastadas dos grandes centros, além de adaptar as aulas às faixas etárias dos estudantes, a fim de atenuar os efeitos da desigualdade social no âmbito educacional. Outrossim, o Estado deve investir maiores verbas para o combate à evasão escolar, em parceria com os municípios, para, finalmente, tornar possível efetivar os elementos supracitados pela Carta Magna.