Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 09/01/2021

A Obra Literária “Revolução dos Bichos”, de George Orwell, ilustra uma sociedade dividida em classes: aqueles que sabiam ler controlavam os analfabetos. Nesse sentido, a crítica do autor evidencia as consequências nocivas do analfabetismo, que, fora da ficção, é a realidade de muitos brasileiros. Isso ocorre, sobretudo, pela desigualdade social, o que acarreta graves problemas aos indivíduos.

Convém ressaltar, a princípio, a falta de acesso igualitário à educação como obstáculo para a alfabetização. A esse respeito, o filósofo John Locke desenvolveu o conceito de “Contrato Social”, segundo o qual os cidadãos cedem sua confiança ao Estado, que, em contrapartida, deveria garantir direitos a todos. No entanto, o poder público se mostra incapaz de assegurar o direito à educação de forma isonômica, de modo que grande parte da população mais carente do país é analfabeta ou analfabeta funcional - que consegue ler, porém não possui compreensão da língua de forma aprofundada -, o que vai de encontro a ideia de Locke e evidencia a negligência do Estado. Desse modo, é incoerente que em uma nação que busca o desenvolvimento, o acesso à educação básica não seja direito de todos.

Outrossim, é importante destacar as consequências dessa celeuma. Nesse viés, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, Paulo Freire defende que a educação é capaz de ampliar os horizontes e que o não acesso a ela é uma ferramenta de opressão social. Dessa forma, pessoas que possuem um nível insuficiente de alfabetização ficam à margem da sociedade, alheias às oportunidades profissionais e pessoais que a alfabetização oferece, e são oprimidas socialmente por essa limitação, como denunciou Freire. Logo, enquanto as desigualdades forem a regra, parte do corpo social brasileiro terá que conviver com limitações.

Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas para mitigar o analfabetismo na pátria-canarinho. Para que isso ocorra, o Governo Federal deve garantir que todos os brasileiros tenham acesso a alfabetização, por meio da ampliação de programas como o “Brasil Alfabetizado”. Isso deverá ser feito através de emendas parlamentares que direcionem recursos para melhoria da estrutura das escolas,  bem como para garantir refeições básicas às crianças e para a preparação de profissionais que saibam ensinar tanto o público infantil quanto o público adulto - especialmente nas regiões do Norte e do Nordeste -, com o fito de que sejam descontruídas as desigualdades e as limitações existentes. Assim, toda a sociedade brasileira poderá, em breve, experimentar a educação libertadora proposta por Freire.