Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 10/01/2021
Segundo Immanuel Kant: “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Apesar das palavras de Kant mostrarem que esse recurso seja de extrema importância para o desenvolvimento humano, o processo de alfabetização brasileiro possui brechas que impedem a sua efetivação. Nesse sentido, a inadimplência governamental e a desigualdade social denotam como desafios para a formação do cidadão. Por isso, medidas são necessárias, com vistas a mitigar tal problemática.
Sob esse viés, vale considerar a omissão do governo como entrave. De acordo com Paulo Freire, educador brasileiro, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. À esse respeito, o baixo fomento à educação libertadora de Freire confirma a inoperância do Estado tangente à disponibilização de metodologias inovadoras essenciais para promover uma alfabetização adequada e a sociedade ficar com o senso crítico fragilizado. Nesse cenário, tal falha fica evidente ao visualizar a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) de 2016, na qual relata que menos da metade dos estudantes do terceiro ano do ensino fundamental alcançaram os níveis de proficiência em leitura e matemática. Dessa forma, o descaso do Estado impede que parcela da população tenha acesso a um direito intrínseco a todo cidadão brasileiro: a educação.
Ademais, a dificuldade no processo de alfabetização deriva de desigualdades sociais. Embora o artigo 206 da Constituição Brasileira defenda: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola como princípios da educação, o que se vê é o oposto. Nesse cenário, os alunos, em sua maioria na fase da adolescência, que deveriam estar na escola produzindo conhecimento, muitas vezes, têm que abandoná-la para entrar no mercado de trabalho e gerar renda para a família sobreviver. Além disso, a distância da escola associada à falta de transporte escolar, é a principal causa para elas não irem. Dessa maneira, não acabar com a desigualdade social fere princípios constitucionais e ratifica as palavras de Hannah Arendt ao defender que o pluralismo político, fundamentado no respeito as diferenças deveria promover a inclusão.
Destarte, infere-se que existem barreiras a serem superadas no cenário de alfabetização no Brasil. Portanto, cabe ao Ministério da Educação inovar nos métodos educativos (visto que o modelo atual não alcança bons resultados de acordo com a ANA), com o uso de recursos práticos que estimula habilidades cognitivas, para que conseguir garantir a alfabetização básica necessária para um cidadão. Além disso, o próprio Governo deve desenvolver programas de assistência financeira para quem tem baixa renda e disponibilizar transporte escolar para os alunos. Assim, diminuirá a desigualdade social e esses indivíduos conseguirão ser alfabetizados. indivíduos conseguirão ser alfabetizados.