Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Émile Durkheim, importante sociólogo francês, pontuou em suas obras a existência de anomias sociais - são fenômenos decorrentes do enfraquecimento das instituições sociais. Infelizmente, no hodierno cenário brasileiro ainda perpetuam determinadas anomias, como por exemplo, a analfabetização. Nesse sentido, entre os impasse para a consolidação desse direito estão as falhas no sistema educacional, sendo agravadas pelo elevado grau de desigualdade no país. Dessa forma, é fundamental analisar os tais fatores, com o intuito de mitigar os entraves para a alfabetização no Brasil.

É válido ressaltar, em primeiro plano, que o sistema de ensino não valoriza nem trabalha as habilidades do aluno, fato esse que compromete desde o princípio a alfabetização. Na antiguidade clássica, Socrátes utilizava da maiêutica para ensinar seus discípulos, uma vez que, esse método é baseado na indagação feita ao aprendiz. De mesmo modo, a neurociência comprova que a aprendizagem é mais efetiva quando o protagonista é o educando, não o educador. Contudo, nas escolas brasileiras o professor assume a posição do único provedor de conhecimento, sendo que a criança apenas absorve de forma passiva, como consequência, o domínino da língua, algo que é básico e fundamental para toda a educação, é prejudicado.

Outrossim, é imperativo pontuar, como as desigualdades sociais afetam no processo de alfabetização. Segundo dados liberados pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2019, o Brasil estava entre os 10 países com o maior índice de GINI, coeficiente usado para medir as disparidades econômicas do país. Nesse panorama, é possível entender que para uma parcela da população brasileira, ingressar na escola e ser alfabetizado não possível. Isso ocorre devido, inúmeras causas, seja pela falta de acesso as instituições escolares ou por escassez de informação, entretanto, todas as causas são motivadas pela má distribuição de renda e pelo falta de apoio governamental, cenário este que urge por mudaças.

Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas para retrair o avanço do analfabetismo no Brasil. Para tanto, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, reformular o sistema de educacional brasileiro, para definir o método de ensino PBL, sigla em inglês, que significa aprendizagem baseada em problemas, tal recurso já é utilizado em diversas universidades brasileiras, e aplicado nas escolas irá tranformar o processo de aprendizagem  para o aluno, uma vez que, será mais eficaz para a aquisição do conhecimento. Além disso, é fundamental que Ministério Público faça o mapeamento das regiões do país onde há maiores taxas de analfabetismo, a fim de averiguar o motivo de tais padrões para criar progamas sociais específicos para as mazelas existentes em cada região. Assim, as anomias apregoadas por Durkheim deixarão de existir no Brasil, sendo uma sociedade mais justa e igualitária.