Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 10/01/2021

O filme “Central do Brasil” narra a história da professora aposentada Dora, que para complementar a renda familiar escreve cartas para pessoas analfabetas com a promessa de enviá-las aos seus familiares, sem, no entanto, se quer enviá-las. Nesse sentindo, observa-se como o letramento e alfabetização do indivíduo são importantes para o pleno exercício de sua cidadania e do seu papel como parte indispensável de uma sociedade. Contudo, o que se observa na atual conjuntura brasileira é um distanciamento do Estado e das suas instituições na formação correta e em um tempo aceitável para o pleno desenvolvimento educacional da criança.

Primeiramente, o caderno da Política Nacional de Alfabetização (PNA), disponibilizado pelo Governo Federal, garante que a idade ideal para uma criança ser alfabetizada é até os seus nove anos. No entanto, dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), mostram que 34 % dos brasileiros dessa faixa etária ainda não escreve ou leem adequadamente. Tal fator é um reflexo da enorme desigualdade socioeconômica presente no país, diz-se isso porque a oferta de mecanismos e ferramentas que garantem o aprendizado dos alunos não são iguais em todos os espaços das nações, cabendo aos grandes centros urbanos os melhores recursos para o alcance desse objetivo.

Ademais, essa mesma disparidade latente no Brasil também é um fator preponderante para que problemas como evasão escolar e trabalho infantil ainda sejam recorrentes no corpo social do país. Isso porque esse desequilíbrio força estudantes de famílias carentes saírem do âmbito escolar cada vez mais cedo, a fim de procurarem empregos informais e de alto risco para contribuírem na renda do lar. As consequências dessa formação incompleta do ensino acumulam-se em perdas de diferentes âmbitos para o indivíduo, tais como os de lazer, e até mesmo biológicos, uma vez que é comprovado cientificamente que um cérebro que aprende a ler de forma correta e clara, passa a aprender mais fácil e rapidamente uma série de outros conteúdos.

Portanto, urge que o Ministério da Educação invista de forma maciça em regiões de menor infraestrutura e de poderio econômico. Nesse cenário, é importante a criação em municípios que possuam altas taxas de analfabetismo de secretarias que possam fiscalizar de forma efetiva as necessidades de cada escola pública. Para essas secretarias poderá ser ofertado uma maior quantidade de recursos financeiros estaduais e federais, bem como a relocação de professores qualificados nessa modalidade de ensino, caso haja essa necessidade. Dessa forma, as desigualdades serão paulatinamente diminuídas, através da maior ferramenta de integração da sociedade humana: a educação.