Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Segundo o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, “a educação deve fazer parte do Estado e deve ser ampliada na sociedade”. Apesar de o Brasil possuir uma vasta rede de ensino público, esse sistema não é suficiente em efetivar seus objetivos de alfabetizar a população. De acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2019, o país possui pelo menos 11,3 milhões de pessoas analfabetas. Dessa forma, esse número demonstra a precariedade de um sistema que não possui condições de oferecer um devido ensino público de qualidade a uma nação.

Primeiramente, é notório citar a falta de infraestrutura eficiente nas escolas públicas como uma das principais causas dos preocupantes índices de analfabetismo no Brasil. Assim como o documentário norte-americano “Esperando pelo Super-Homem”, que denuncia a situação escassa da educação universal nos Estados Unidos, o Brasil possui os mesmos desafios na implantação de uma estrutura decente nos colégios públicos. De acordo com dados do Observatório do Plano Nacional de Educação, em 2017, apenas 4,2% das instituições de ensino básico públicas do País possuíam infraestrutura adequada, o que provoca uma incapacidade da alfabetização de muitos alunos, já que greves de professores exigindo melhores condições de trabalho são comuns no sistema público.

Além disso, a pandemia do Covid-19, que afetou fortemente o Brasil no ano de 2020, certamente terá um grande impacto no aumento do analfabetismo nas crianças, segundo especialistas de pedagogia preveem. Já que seis milhões de estudantes não possuem acesso à internet em casa, segundo o Instituto de Pesquisa Aplicada, tornou-se inviável para várias crianças em processo de alfabetização acompanharem os estudos durante o ensino on-line. Por isso, as consequências na sociedade brasileira serão desastrosas, uma vez que o esforço requerido para a realfabetização de todos os alunos afetados será além da capacidade do insuficiente sistema educacional.

Para a concretização da educação idealizada por Rousseau, é necessária uma mudança radical na estrutura do ensino público. Portanto, urge ao Ministério da Educação investir muito mais na formação de professores e na tecnologia presente nas escolas, por meio do aumento de verbas destinadas a esse fim, para que os educadores recebam melhores salários e condições de trabalho e possam aplicar novos métodos tecnológicos de ensino para a efetivação do aprendizado dos alunos em alfabetização. Assim, torna-se possível uma diminuição nas taxas alarmantes de analfabetismo no Brasil.