Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A obra literária “Revolução dos Bichos”, de George Orwell, ilustra uma sociedade distópica dividida em classes: Aqueles que sabiam ler dominavam os não alfabetizados. Assim como na ficção, o Brasil tem, segundo o IBGE, onze milhões de analfabetos, os quais, indubitavelmente, são marginalizados. Diante disso, os desafios para o combate do analfabetismo são: a metodologia excludente de alfabetização e a desigualdade social.

Diante da realidade supracitada, um dos imbróglios para a alfabetização é o modelo de ensino adotado hodiernamente, o qual associa sons com letras. Em conformidade ao exposto, segundo Magda Soares, professora da UFMG, esse modelo -conhecido como método fônico- é ineficiente no Brasil, pois ele requer um conhecimetno prévio de leitura, o que, na desigualdade social atual, não são todos que têm. Dessa forma, conforme asseverou Hannah Arendt, na sua tese “Pluralismo Político”, o Estado deve criar sistemas que incluam, também, os grupos marginalizados. Logo, é indubitável que, a fim de incluir pessoas de classe social mais baixa, a metodologia de alfabetização vigente deve ser questionada e modificada.

Outrossim, outro impasse para o letramento é a desigualdade social presente. Na série da Netflix “Anne with an E”, o jovem Jerry não sabia ler ou escrever porque deixou a escola para virar carpinteiro e sustentar sua família, que vivia em condição de pobreza. De forma análoga à ficção, uma massiva parcela dos jovens brasileiros vivem a lamentável realidade do Jerry, o que as levam a abandonarem a escola ainda no ensino básico. Tal situação prova o que foi defendido pelo jornalista Gilberto Dimenstein, em sua tese “Cidadania de Papel”: apesar da Carta Magna afirmar que todos têm direito à bem-estar e à educação, o Estado, na prática, negligencia os direitos dos vulneráveis. Dessa maneira, a fim de alfabetizar todos, é fulcral que o governo assuma sua responsabilidade legal e crie meios de combate à desigualdade social.

Dessarte, medidas são necessárias para garantir a alfabetização coletiva. Para tal, cabe ao Legislativo (órgão que é responsáveis pelos códigos legais), por meio de uma lei que obrigue as escolas a adaptar o método fônico de alfabetização (que inclua um modelo construtivista, pois este não necessita de conhecimentos prévios) e, também, que obrigue o Ministério da Educação a concender apoio financeiro às famílias dos alunos, combata a desigualdade social, a fim de garantir que todos, no país, sejam alfabetizados. Assim, o Brasil não viverá a realidade distópica da “Revolução dos Bichos”.