Desafios do processo de alfabetização em questão no Brasil
Enviada em 11/01/2021
O filme franco-brasileiro “Central do Brasil”, lançado em 1998, gira em torno da vida de Dora, uma professora aposentada que trabalha como escritora de cartas para pessoas analfabetas na Estação Central do Brasil, Rio de Janeiro. A obra é fidedigna no retrato do analfabetismo na nação tupiniquim, ao destacar o constrangimento e dependência de cidadãos marginalizados pela falta de letramento. Mesmo ambientado em 1998, o cenário atual não se distingue do ficcional, pois ainda existem desafios pungentes em questão no processo de alfabetização no Brasil, tais como a falha no ensino e o consequente analfabetismo funcional.
A linguista Irandé Antunes argumenta que na hodierna prática pedagógica brasileira prevalece o ensino da palavra/frase descontextualizada, em que a oralidade e a leitura são desprezadas. De acordo com Antunes, o ensino da língua pode se tornar mais eficiente ao compreender a alfabetização como um processo além do domínio do código, como uma simbiose entre oralidade, escrita, leitura e gramática. Outrossim, a atual prática de ensino, ao invés de alfabetizar à contento, forma analfabetos funcionais - indivíduos que dominam o código mas não têm o aprofundamento do domínio adquirido, são incapazes de interpretar textos e operações matemáticas. Além disso, cabe ressaltar que os analfabetos funcionais constituem 29% da população brasileira, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), dado que reforça a questão como um desafio nacional.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para que o Brasil supere os desafios em questão, urge que o Ministério da Educação elabore uma reforma e dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), por meio de consulta pública com professores de língua portuguesa e posterior consulta com linguistas e pedagogos, a fim de mitigar os desafios pungentes no processo de alfabetização no país. Somente assim, será possível que o Brasil se distancie do cenário retratado na obra “Central do Brasil”.